A Comissão de Relações Exteriores da Câmara aprovou requerimento de convocação do ministro das Relações Exteriores Mauro Viera para que ele preste esclarecimentos sobre o risco de ação militar dos EUA no Brasil. O ministro entrou na mira do Congresso depois de responder a Câmara que questionou através do deputado Evair de Melo as consequências da decisão unilateral do governo de Donald Trump de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
A votação ocorreu de forma simbólica. O líder da oposição, cabo Gilberto chamou o ministro irresponsável "com a declaração infeliz colocou o Brasil em desprestígio internacional". O deputado Arlindo Chinaglia defendeu o ministro e a soberania do Brasil.
Na terça (07), a Comissão de Relações Exteriores do Senado já aprovou um convite para também ouvir o ministro Mauro Vieira sobre as possíveis ações militares dos EUA em território brasileiro. O convite foi aprovado de forma simbólica após requerimento de Hamilton Mourão (Republicanos-RS).
O governo americano rebateu. Um porta-voz do Departamento de Estado classificou o alerta do Itamaraty como "absurdo". A resposta foi dada ao G1. Segundo os Estados Unidos, eles estão tomando medidas soberanas contra narcoterroristas que já operam em território americano, e que alegações de intervenção costumam servir de pretexto para proteger grupos violentos.
Em outra frente, o governo brasileiro tenta colocar panos quentes. Nesta quarta (08), o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reúne no Peru, com o subsecretário de Guerra dos Estados Unidos, Elbridge Colby. De acordo com fonte do governo à CBN, o pedido de encontro bilateral foi feito pelos EUA. Eles participam da Conferência de Ministros da Defesa da América.
Na terça (07), o Ministério da Defesa já havia dito que discorda do Itamaraty e não vê risco de atuação militar americana no Brasil.