No momento em que o tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entra em vigor, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços intensificou as reuniões com os setores produtivos afetados. Nesta quarta-feira (22), o ministro Márcio Elias Rosa recebeu representantes das indústrias de madeira, rochas naturais e fumo para discutir os impactos da medida.
Após o encontro, que durou quase duas horas, o ministro seguiu para o Palácio do Planalto, onde participa de uma reunião com o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin, a ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e representantes de um dos maiores conglomerados automotivos do mundo.
Na terça-feira (21), o governo realizou a primeira rodada de reuniões após o anúncio do novo tarifaço, com representantes dos setores de calçados, máquinas, pneus e plástico. As entidades apresentaram dados sobre possíveis impactos da medida, incluindo riscos para empregos e para as margens de lucro das empresas.
Na ocasião, o vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a prioridade do governo é buscar uma solução negociada e reforçar o apoio às exportações por meio da ApexBrasil, agência responsável pela promoção das exportações e investimentos brasileiros.
Diante do impacto na economia, o governo aposta nesse diálogo na diplomacia e também na diversificação de mercados para tentar reverter os efeitos negativos da medida, descartando por enquanto a aplicação da lei da reciprocidade.
Já nesta quarta (22), Alckmin também se reuniu no início da manhã com o setor de transportes e logística, que alertou para o efeito cascata. O setor, que atua como elo entre a indústria e o consumo, disse que o impacto é imediato, com a possível queda na movimentação de cargas.
O presidente da Fenatac, Paulo Lustosa, classificou a sobretaxa como uma questão política e defendeu a negociação, uma vez que, para ele, a lei da reciprocidade pode agravar o cenário.
"Na medida em que a carga reduz, o nosso setor sofre com essa redução. Essa é a principal preocupação, porque precisamos que o país tenha um crescimento continuado e sustentado."
Paulo Lustosa também comentou a medida provisória do frete, que estabelece o pagamento de um piso mínimo aos caminhoneiros. Segundo ele, o setor negociou com o Senado e o governo o veto de pontos considerados polêmicos. Entre eles, considerado inegociável pelo líder do governo, Randolfe Rodrigues, está o perdão de multas para os caminhoneiros que participaram das manifestações de 2022.
Sobre o tarifaço, o governo avalia pedidos da indústria para flexibilizar as regras de acesso a linhas emergenciais de crédito, como as previstas no Plano Brasil Soberano, que será sancionado pelo presidente Lula nesta quarta-feira (22).