O governo dos Estados Unidos deve aplicar nesta quarta-feira (15) um novo tarifaço de 25% sobre as exportações brasileiras. A decisão da autoridade do comércio americano encerra um processo que começou há um ano e mobilizou setores da economia brasileira e dos Estados Unidos.
A sobretaxa é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana e ocorre após as negociações entre equipes de alto nível dos dois países terminarem sem um acordo.
Ontem, auxiliares do presidente Lula se reuniram remotamente com o chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, mas não houve recuo e nem indicação de qual será a decisão.
No encontro, o Ministério do Desenvolvimento e a diplomacia brasileira reiteraram o caráter considerado injusto das sobretaxas.
Os representantes do governo brasileiro também criticaram a tarifa de 12,5% que os norte-americanos ameaçam impor ao Brasil e mais 59 países por falta de controle sobre trabalho forçado.
O tarifaço de 25% é uma resposta a supostas práticas de comércio desleais e discriminatórias adotadas pelo Brasil.
Entre as acusações de Washington estão o favoritismo regulatório ao Pix; barreiras à importação do etanol americano; disputas sobre propriedade intelectual; e falhas no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.
Se for confirmada, a sobretaxa vai atingir madeira e derivados; rochas ornamentais e de construção: maquinário industrial e equipamentos; café solúvel e etanol de milho.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que a pasta vai recomendar ao presidente Lula a adoção da Lei de Reciprocidade.
Estimativas da Confederação Nacional da Indústria apontam que a barreira alfandegária pode impactar mais de quatro mil produtos nacionais, o equivalente a quinze bilhões de dólares.
Para proteger as cadeias produtivas americanas e evitar o descontrole da inflação interna, a Casa Branca deve confirmar uma lista de exceções ao tarifaço.
Devem ser poupados: a maior parte dos produtos agropecuários do Brasil, como carne bovina; frutas, sucos e café em grão; aeronaves e partes de aviação da Embraer; minerais críticos, fertilizantes, medicamentos e insumos industriais básicos.
Nos bastidores, o governo brasileiro aposta que o anúncio de Donald Trump não resulte em cobrança imediata, mas em um processo de implementação gradual, repetindo o modelo adotado no ano passado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o governo brasileiro vai continuar negociando, mesmo que o tarifaço seja aplicado.