O governo brasileiro repudiou a decisão que estabeleceu tarifas de 25% pelo governo dos Estados Unidos. O Palácio do Planalto afirma que a medida não tem justificativa, destacando que os Estados Unidos acumulam superávit superior a US$ 400 bilhões no comércio bilateral com o Brasil nos últimos 15 anos.
O governo Lula também rejeita as críticas ao Pix e à regulação das plataformas digitais e classifica como infundadas as acusações sobre falhas no combate ao desmatamento. Informa que iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica, e que o caso também deverá ser levado ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, já havia revelado a adoção da reciprocidade em caso de taxa.
A gestão Lula também acusou a família Bolsonaro movida por interesse eleitoreiro de ter colaborado para viabilizar as sanções. Alegando que "são falsos os patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o Brasil.
Entenda mais das tarifas
O governo dos Estados Unidos confirmou nesta quinta-feira (16) uma tarifa de 25% contra produtos importados brasileiros, conforme já era esperado. Esta quarta era considerado o prazo final para a confirmação das taxas pela investigação comercial americana do comércio com o Brasil.
O tarifaço de 25% é uma resposta a supostas práticas de comércio desleais e discriminatórias adotadas pelo Brasil.
Entre as acusações de Washington estão o favoritismo regulatório ao Pix; barreiras à importação do etanol americano; disputas sobre propriedade intelectual; e falhas no combate ao desmatamento ilegal na Amazônia.
A sobretaxa vai atingir madeira e derivados; rochas ornamentais e de construção: maquinário industrial e equipamentos; café solúvel e etanol de milho.
Para proteger as cadeias produtivas americanas e evitar o descontrole da inflação interna, a Casa Branca deve confirmar uma lista de exceções ao tarifaço.
Foram poupados a maior parte dos produtos agropecuários do Brasil, como carne bovina; frutas, sucos e café em grão; aeronaves e partes de aviação da Embraer; minerais críticos, fertilizantes, medicamentos e insumos industriais básicos.
Uma reportagem divulgada nesta quarta-feira (15) pela agência de notícias Reuters destaca, através de fontes do governo brasileiro, que as negociações ao longo dos meses com os Estados Unidos foram 'intensas', apesar disso 'em grande parte improdutivas'.
A decisão da autoridade do comércio americano encerra um processo que começou há um ano e mobilizou setores da economia brasileira e dos Estados Unidos.
A sobretaxa é baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana e ocorre após as negociações entre equipes de alto nível dos dois países terminarem sem um acordo.
A Reuters afirma que, entre as exigências americanas, estão inclusão de tarifas reduzidas exclusivas sobre algumas de suas exportações, concessões que a legislação brasileira não permite que o governo conceda unilateralmente a um único país.
Nessa terça (14), auxiliares do presidente Lula se reuniram remotamente com o chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, mas não houve recuo e nem indicação de qual será a decisão.
No encontro, o Ministério do Desenvolvimento e a diplomacia brasileira reiteraram o caráter considerado injusto das sobretaxas.
Os representantes do governo brasileiro também criticaram a tarifa de 12,5% que os norte-americanos ameaçam impor ao Brasil e mais 59 países por falta de controle sobre trabalho forçado.
Estimativas da Confederação Nacional da Indústria apontam que a barreira alfandegária pode impactar mais de quatro mil produtos nacionais, o equivalente a quinze bilhões de dólares.
Nos bastidores, o governo brasileiro aposta que o anúncio de Donald Trump não resulte em cobrança imediata, mas em um processo de implementação gradual, repetindo o modelo adotado no ano passado.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que o governo brasileiro vai continuar negociando.