O governo Lula deve protelar a reciprocidade contra os Estados Unidos, apesar da reação oficial em que rechaçou o novo tarifaço.
Auxiliares do Palácio do Planalto avaliam que a citação à Lei de Reciprocidade serve como instrumento de pressão diplomática, mas ressaltam a necessidade de evitar ações que prejudiquem a própria economia brasileira antes das eleições de outubro.
A posição de cautela do governo é respaldada por entidades da indústria e do agronegócio.
Setores como o de máquinas e equipamentos argumentam que o uso da retaliação pode escalar o conflito comercial e gerar sanções ainda mais severas por parte de Washington.
A gerente de comércio e integração internacional da Confederação Nacional da Indústria, Contanza Negri, reforçou que a prioridade é a negociação bilateral.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos, José Velloso, alertou que a retaliação pode agravar a situação.
Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, as medidas protecionistas da gestão Donald Trump já atingem 47% de todas as exportações do Brasil para os Estados Unidos.
O levantamento indica que mais de 16% das vendas brasileiras serão duplamente afetadas, acumulando uma sobretaxa de 37,5%.
Como alternativa para conter os prejuízos ao setor produtivo, o governo brasileiro intensifica a busca por novos parceiros comerciais.
A estratégia foca na ampliação de vendas para o mercado chinês e no avanço dos acordos de livre comércio do Mercosul com blocos e países como a União Europeia, o Japão e o Canadá.