Os principais jornais argentinos destacaram ontem em suas capas e em seus editorais, os vexames causados pelo presidente do país, Javier Milei, e as consequências que isso deverá causar nas relações da Argentina com o Brasil, após o festival de grosserias e incivilidades disparado por esse governante durantre o evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República, no sábado, em São Paulo.
O centenário jornal La Nación, que tem 156 anos de existência (fundado pelo ex-presidente da Argentina, Bartolomé Mitre, em 4 de janeiro de 1870), um emblemático meio de comunicação acostumado, portanto, a acompanhar as mais diversas formas de crises no país ao longo da história, contou ontem, numa matéria de página inteira, com chamada na cabeça da primeira página, que essa pode se tornar a pior das crises nas últimas décadas.
Diz o jornal que na avaliação unânime de dezenas de diplomatas da ativa e aposentados, ex-funcionários e especialistas em relações internacionais de ambos os países, "foi desencadeada a maior crise diplomática dos últimos 50 anos entre Argentina e Brasil."
Essa advertência advém, certamente, não apenas pelo tradicional acompanhamento da vida política argentina, com suas crises contínuas, golpes, ditaduras e supressão das liberdades públicas, mas igualmente, ao se olhar com atenção e respeito para o terreno da economia, para lembrar que o Brasil sempre manteve alianças comerciais e diplomáticas saudáveis e construtivas com a Argentina, condição que "faz hoje ser o país agora atacado por Milei o maior e mais importante parceiro comercial dos argentinos, muito distante de outros países".