Mais de 900 pessoas aguardam transplante no Piauí; recusa familiar chega a 70%

Mais de 900 pessoas aguardam transplante no Piauí; recusa familiar chega a 70%

leandro santos
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Quase mil pessoas aguardam por um transplante no Piauí. Atualmente, 548 pacientes esperam por um rim e outros 426 aguardam um transplante de córnea, segundo a Central Estadual de Transplantes. Enquanto isso, um dos principais obstáculos para reduzir a fila continua sendo a recusa das famílias em autorizar a doação de órgãos após a morte de um parente.

De acordo com a vice-coordenadora da Central de Transplantes do Piauí, Ayla Calixto, cerca de 70% das famílias recusaram a doação no primeiro semestre deste ano, índice considerado elevado e que diminui as chances de pacientes que dependem do procedimento para continuar vivendo.

"A gente tem uma recusa ainda muito alta. Na avaliação do primeiro semestre deste ano, verificamos que ela está em torno de 70%. Isso mostra que ainda precisamos esclarecer e conversar mais sobre a doação de órgãos", afirmou.

Segundo Ayla, a decisão costuma ser mais difícil quando o assunto nunca foi discutido entre os familiares.

"Sabemos que o momento da morte é muito delicado, de muito sofrimento. Quando essa conversa já foi feita antes e a pessoa manifestou que gostaria de ser doadora, a família se sente mais confortável em dizer sim."

Uma espera que dura mais de dez anos

A aposentada Isabel da Silva, de 38 anos, conhece bem a realidade de quem depende de um transplante. Há mais de uma década ela realiza hemodiálise enquanto aguarda a chegada de um rim compatível.

Três vezes por semana, Isabel passa quatro horas ligada à máquina para conseguir manter o organismo funcionando.

"Enquanto eu não recebo esse órgão novo, tenho que fazer a diálise. São três vezes por semana, quatro horas em cada sessão. Essa tem sido minha rotina durante todos esses anos aguardando um transplante", contou.

A hemodiálise substitui parte das funções dos rins, mas não representa uma cura. Para muitos pacientes, o transplante é a oportunidade de recuperar a qualidade de vida.

O transplante mudou a vida de Etevaldo

Foto: Reprodução

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Foi exatamente essa oportunidade que chegou para o aposentado Etevaldo Lopes, que hoje vive uma rotina completamente diferente da que enfrentava durante o tratamento.

Depois de passar pelo desgaste físico e emocional da hemodiálise, ele recebeu um rim doado pela própria irmã, Maria de Socorro.

"Ela disse que, se dependesse dela, eu não passaria muito tempo fazendo hemodiálise. Eu falei que era uma decisão muito séria, porque ela iria doar um órgão. Mas ela respondeu que precisava retribuir tudo o que eu já tinha feito por ela e decidiu doar. Graças a Deus, hoje estamos os dois saudáveis", relembrou.

Ao longo do tratamento, Etevaldo contou com o apoio constante da esposa, Rita Lopes, companheira há mais de 30 anos.

"É um alívio. A gente se apega muito a Deus para que tudo dê certo. Foi um período muito estressante, mas hoje ver que deu certo é uma felicidade enorme", disse.

Todos podem ser potenciais doadores

A vice-coordenadora da Central de Transplantes destaca que praticamente todas as pessoas podem ser consideradas potenciais doadoras. Após a autorização da família, uma série de exames é realizada para verificar se os órgãos podem ser transplantados com segurança.

"Hoje a gente trabalha com a perspectiva de que todo mundo pode ser potencialmente um doador. Depois que a família autoriza, esse paciente passa por avaliações para comprovar que os órgãos oferecem segurança para quem vai recebê-los."

Por isso, a principal orientação da Central de Transplantes é que as pessoas conversem sobre o assunto com seus familiares ainda em vida, deixando clara a vontade de doar os órgãos.

"Não desistir"

Cinco anos após o transplante, Etevaldo resume a própria experiência como uma mensagem para quem ainda espera na fila.

"Primeiro é se apegar a Deus. Depois ter coragem de se erguer e não desistir. É procurar se inscrever na fila e persistir sempre. Nunca desistir."

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