Termina nesta quarta-feira (29) o prazo para que mercadorias brasileiras já embarcadas entrem nos Estados Unidos sem a nova tarifa adicional de 25%. A partir da meia-noite, os produtos que chegarem aos portos americanos serão taxados.
A medida atinge mais de dois mil itens e pode restringir até US$ 11 bilhões em exportações brasileiras. Entre os setores mais afetados estão madeira processada, calçados, máquinas e autopeças.
Segundo o superintendente da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada, Paulo Pupo, o prazo estabelecido pelo governo americano foi insuficiente para que as empresas reorganizassem os embarques e evitassem a cobrança da tarifa.
Pupo afirma que parte das cargas que já está em trânsito será tributada, o que deve levar importadores americanos a renegociar contratos com fornecedores brasileiros.
"Uma boa parte dos volumes que estão embarcados ou em água ou chegando lá nos Estados Unidos, infelizmente, serão taxados e instigará uma renegociação de contratos por parte dos importadores americanos com os produtores aqui no Brasil. Então, é uma situação logística bem delicada e nós entendemos que o prazo foi bem curto. A nossa expectativa é sim que teria um prazo de talvez 30, 60 dias para readequação das reservas nas companhias marítimas, para podermos ter uma melhor programação e previsibilidade contratual, mas infelizmente não foi o que aconteceu."
Metade da madeira processada exportada pelo Brasil tem como destino os Estados Unidos. No segmento de molduras, essa participação chega a quase 100%.
Além da madeira, setores como o de calçados, máquinas e autopeças também enfrentam dificuldades, já que muitos produtos são fabricados sob medida para clientes americanos e não podem ser redirecionados rapidamente para outros mercados.
As empresas buscam ampliar as vendas para Europa, Ásia, Mercosul e Oriente Médio. No entanto, esses mercados costumam pagar menos ou não têm capacidade para absorver todo o volume antes destinado aos Estados Unidos.
Como resposta aos impactos do tarifaço, o governo federal anunciou R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito para empresas afetadas. O setor produtivo também defende a continuidade das negociações entre Brasil e Estados Unidos para reduzir a tarifa ou ampliar a lista de produtos isentos.