Foto: Polícia Civil do Maranhão

O ex-diretor-adjunto Alberto Luiz, de 49 anos, suspeito de estuprar crianças de uma creche na cidade de Timon (MA), mantinha um caderno em que listava os nomes das vítimas e seus respectivéis níveis de autismo. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (10), pelo delegado regional, Cláudio Mendes.
“Durante a busca realizada na residência, foi encontrado um caderno que tinha o nome dessas crianças e o grau de autismo. Ele escolhia as crianças que tinham autismo não verbal, que não falavam, justamente para cometer o crime e garantir a impunidade”, detalhou a autoridade policial.
Alberto Luiz foi preso no último mês de maio, após os pais das crianças da creche em que trabalhava como diretor-adjunto denunciarem os abusos sexuais. As investigações tiveram acessos a câmeras de segurança que mostravam o suspeito retirando as vítimas da sala de aula e as levando para um depósito próximo à diretoria.
“Ele, como diretor adjunto, ia à sala de aula e pegava a criança com a desculpa de dar uma aula de reforço, que ia ajudar, porque a professora estava só. Ele retirava essas crianças, cometia o abuso sempre na mesma sala, era o mesmo modus operandi e, após o abuso, dava um brinquedo, uma bola ou uma boneca”, disse o delegado.
A prisão preventiva do investigado, no entanto, foi suspensa em junho, após a Justiça entender que houve excesso de prazo para a conclusão do inquérito policial e para o oferecimento da denúncia pelo Ministério Público. Na decisão, o juiz liberou o suspeito e estabeleceu diversas medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

Apesar disso, o ex-diretor passou a descumprir as medidas cautelares, desligando o equipamento e fazendo deslocamentos à noite para Teresina para visitar familiares. Somado a isso, novas vítimas denunciaram o investigado, o que levou o Ministério Público a solicitar uma nova prisão preventiva de Alberto Luiz.
"Depois que ele rompeu a tornozeleira e teve a prisão decretada, houve o trabalho da imprensa em divulgar. Diante da repercussão, ele voltou a carregar a bateria da tornozeleira depois de três dias. Por isso conseguimos localizá-lo hoje pela manhã", informou o investigador Joélio Borges.
Em meio ao descumprimento das cautelares, Alberto Luiz também teria tentado despistar os investigadores. “No domingo ele desligou a tornozeleira em frente à Rodoviária de Timon, para fazer acreditar que havia pego um ônibus e ido embora do estado. Em razão da repercussão, ele voltou atrás", completou Borges.
Após a prisão, Alberto Luiz permanece à disposição da Justiça e deve passar por audiência de custódia em Teresina. Na avaliação do delegado regional de Timon, a expectativa é que o investigado permaneça preso diante de todos os elementos coletados ao longo da investigação e pela repercussão negativa da sua soltura anterior.
“Existem provas testemunhais, periciais do Instituto Médico Legal e imagens retiradas das câmeras. Existe um conjunto de indícios muito grande contra ele, tanto é que ele já é réu no processo criminal. Eu acredito muito agora que ele deva aguardar preso, já que a repercussão pela soltura dele foi bastante negativa”, concluiu Mendes