Tia de bebê diz que prisão de mulher é “alívio” e crê em mais gente envolvida

Tia de bebê diz que prisão de mulher é “alívio” e crê em mais gente envolvida

leandro santos
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 Foto: Divulgação/Ascom

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Suspeita sendo presa

Ao ser informada pelo Cidadeverde.com que a técnica de enfermagem da maternidade Dona Evangelina Rosa foi presa na manhã de hoje (8), suspeita de tentar levar sua sobrinha, um bebê de dois dias de nascida, a tia – Daniela Beatriz da Conceição, 24 anos, disse que sentia um misto de “alívio e revolta”. 

Daniela Beatriz é uma das principais testemunhas da tentativa de sequestro do bebê na maternidade e foi ela que impediu que a recém-nascida fosse levada ilegalmente dentro de uma bolsa pela técnica de enfermagem. 

“A gente fica feliz com a notícia da prisão dela, mas é uma mistura de alívio e revolta. Ela não atuou sozinha, tem mais gente envolvida. Eu espero que a Polícia esclareça, eles querem colocar a culpa é uma única pessoa, mas tem mais gente”, disse a tia. 

Ela disse que se não fosse a atuação dela, sua sobrinha tinha saído da maternidade ilegalmente. 

Daniela informou que a mãe da bebê, uma estudante de 14 anos, ainda está abalada.

“Queremos que tudo seja esclarecido e que evite novas tentativas de sequestros de recém-nascidos”, disse a tia. 

 

 

 

Suposta gravidez da mulher é investigada

As investigações continuam e a Polícia Civil busca esclarecer se a técnica de enfermagem chegou a engravidar ou se apresentava um quadro de gravidez psicológica.

Até o momento, os investigadores apuraram que a suspeita realizou um chá de bebê há alguns meses e que a residência onde morava estava preparada para receber uma criança. A principal linha de investigação é de que ela possa ter vivido uma gravidez psicológica, hipótese que ainda será confirmada ou descartada durante o inquérito.

Segundo o delegado Hugo Alcântara, uma testemunha relatou que a investigada foi submetida a exames pela unidade de saúde do trabalho da Nova Maternidade Dona Evangelina Rosa, ocasião em que teria sido constatado que ela não estava grávida.

"Segundo a testemunha, a suposta autora foi submetida a exames realizados pela unidade de saúde do trabalho da maternidade. De acordo com o relato da enfermeira ouvida, ela tomou conhecimento de que o exame constatou que não havia feto. Essa testemunha também informou que a investigada chegou a fazer um chá de fraldas e apresentava uma barriga gestacional. Até então, todos acreditavam na gravidez, mas ainda não temos informações se, em algum momento, ela realmente esteve grávida ou se se tratava de uma gravidez psicológica desde o início", afirmou o delegado.

Defesa alega problemas psicológicos

A defesa de Auricelia, alegou que ela sofre de transtornos psicológicos devido a recentes abortos e que faz uso de medicação controlada. Já a polícia informou que ainda não foi apresentado nenhum laudo que comprove essa situação.

Segundo a polícia, ela tinha trabalhado normalmente na maternidade no final de semana em que a bebê nasceu. A investigação continua e mais depoimentos devem ser coletados.

"Já temos muitas provas, e se no decurso da investigação aparecer outras pessoas, será investigado. Não trabalhamos com essa ideia de problema psicológico, isso é uma alegação da defesa, a insanidade deve ser provada e não temos nenhum elemento no momento. É um adulto funcional, que estava trabalhando normalmente e há muitos anos como técnica de enfermagem", afirmou o delegado Hugo Alcântara.

O Caso

Uma das principais testemunhas da tentativa de rapto do bebê e irmã da puérpera, Daniela Beatriz,  relatou que na abordagem da mulher, ela se identificou como funcionária da maternidade Dona Evangelina Rosa e a situação foi presenciada por mais duas mulheres puérperas que estavam na sala. 

“Ela disse que era enfermeira da maternidade, estava com roupa verde, igual os outros funcionários e que estava ali para ajudar”, disse a mulher para a tia da recém-nascida. 

A mãe do bebê, de 14 anos, estava na sala de recuperação para ter alta médica quando recebeu a visita da suposta funcionária da maternidade. Para ela e o bebê terem alta precisava que a filha fizesse os exames do teste do pezinho e da orelhinha. O bebê nasceu no último sábado (4).

Durante os procedimentos para os testes, a mulher pegou o bebê em ao sair da sala, levou a recém-nascido para um banheiro e foi descoberta pela tia.

“Eu a segui e fui até o banheiro, cheguei lá ela tinha vestido outra roupa, soltado o cabelo e parecia outra pessoa. Peguei a bolsa que estava com ela e encontrei o bebê dentro da bolsa de couro, dessas de treino”, disse a tia.

Ela contou que começou a gritar, pedir socorro, que alguém chamasse a polícia, mas ninguém a atendeu. “Outra enfermeira que se identificou como Ingrid disse que a mulher não era funcionária da maternidade e que era paciente de lá. Eu não acreditei devido a intimidade que as outras funcionárias tinham com ela, conversavam com ela”, disse Daniela. 

A tia se queixa da falta de providências da maternidade, que não adotou nenhuma ação na hora.

“A mulher que tentou levar o neném disse: ‘eu trabalho aqui, pode confirmar com a Ingrid’”, disse a tia. 

Segundo ela, após a confusão, a maternidade agilizou os testes e liberou a mãe. Um carro da maternidade chegou a levar a puérpera, o bebê para a zona rural da cidade de Castelo do Piauí, onde a mãe mora. 

A tia revelou que o sentimento é de “alívio, preocupação e agradecimento”. Segundo ela, se não fosse sua intervenção, o bebê teria saído da maternidade ilegalmente. “A mulher sairia com total facilidade, já que conhecia muita gente na maternidade”, disse.

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