Embora tenha repetido um movimento do pai para atacar as urnas eletrônicas brasileiras diante de autoridades estrangeiras, a avaliação nos bastidores do TSE é de que as falas de Flávio Bolsonaro não foram um ataque grave, mas de fato ele falou uma mentira sobre as urnas e que a informação já tinha sido desmentida.
Essas informações falsas circulam pelo menos desde as eleições de 2018. Já naquela época, o Tribunal Superior Eleitoral emitiu uma manifestação informando que a empresa Smartmatic não era responsável pelos equipamentos usados nas eleições no país.
Flávio Bolsonaro afirmou ontem que os equipamentos de votação de uma empresa venezuelana, denunciada pelos Estados Unidos, foram usados em eleições brasileiras.
Em 2018, a nota do TSE afirmava que a Smartmatic atuou em eleições anteriores apenas como transportadora de urnas, em poucos locais. Ela recebia as urnas devidamente lacradas nos Tribunais Regionais Eleitorais e as entregava lacradas nos locais de votação. Em localidades de difícil acesso, como em algumas aldeias indígenas, a empresa fez a instalação de antenas para transmissão dos resultados, sempre via chips criptografados da Justiça Eleitoral. Em nenhum momento a referida empresa teve acesso a quaisquer dados de programação e nunca foi responsável pela fabricação das urnas brasileiras.
Ao longo do discurso, Flávio citou ainda um relatório da CIA que afirma que a empresa Smartmatic estaria envolvida num plano de fraude do governo venezuelano nas eleições de 2012. O documento, no entanto, diz que o governo venezuelano tinha possibilidade de alterar os votos, mas não confirma que a fraude foi de fato executada.
O TSE, em uma nota divulgada em 2020, quando a fake news voltou a circular, afirmou que a Smartmatic não fornece urnas eletrônicas ou softwares utilizados em urnas no Brasil e que todo o projeto da urna eletrônica brasileira e do sistema eletrônico de votação foi concebido e é gerido inteiramente pela Justiça Eleitoral do país.
Ainda na nota, o TSE explica que a Smartmatic celebrou contratos com o TSE em outras ocasiões somente para a prestação de serviços de conexão de dados e voz, e não para o desenvolvimento ou operação da urna eletrônica. Além disso, a empresa participou da licitação para a fabricação de urnas eletrônicas para 2020, mas perdeu para a empresa Positivo.
Em nota, a campanha de Flávio afirma que não é verdade que o pré-candidato tenha questionado a integridade do sistema de votações no Brasil. Em sua fala, ele se limitou a relatar dois fatos públicos e amplamente divulgados pela imprensa: o fato originariamente gerador da inelegibilidade de seu pai, Jair Bolsonaro; um relatório recentemente divulgado pela cia, a respeito de fraudes nas eleições venezuelanas.
Ainda segundo a nota, em sua fala, que é brevíssima neste ponto, o pré-candidato Flávio Bolsonaro afirma expressamente que “não está questionando o sistema de votação brasileiro” e exorta os diplomatas ali presentes a mandarem o maior número possível de representantes em missões de observação internacional.