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“Isso é uma evidência do tamanho da catástrofe. Até hoje, a gente não consegue localizar os familiares”, diz Daniel Tovar, de 28 anos, que completa nesta sexta-feira (24) um mês sem notícias de seu pai, Felix Tovar, de 70 anos. O idoso está desaparecido na região de La Guaira, uma das áreas mais atingidas por dois terremotos que devastaram parte da Venezuela.
Daniel e milhares de outros venezuelanos vivem a incerteza diante da tragédia que deixou mais de 5.000 pessoas mortas e pelo menos 50 mil desaparecidas, segundo estimativas da ONU. Dois tremores, de magnitude 7,2 e 7,5, provocaram fortes abalos no país no fim de junho. Até hoje, a população e as autoridades tentam conter as consequências do desastre.
As pessoas buscam informações sobre parentes e amigos, enquanto outras lidam com o luto de uma das piores tragédias recentes da história do país. A população afetada indiretamente também enfrenta impactos que podem demorar a ter solução. Em artigo no jornal El País, a jornalista Alejandra Oraa destaca que “o que acontece nos meses e anos seguintes pode determinar a educação, a saúde mental, a estabilidade financeira e todo o futuro de uma pessoa”.
Além da perda de vidas e da dificuldade de retomar a rotina, o país tenta contabilizar os estragos na infraestrutura de La Guaira e de parte de Caracas, a capital venezuelana. Somente em La Guaira, mais de 250 edifícios ruíram completamente, enquanto outros deverão ser demolidos devido a danos estruturais.
Os setores mais afetados foram habitação, infraestrutura, comércio, transporte e logística. O economista Asdrúbal Oliveros estima que o prejuízo venezuelano fique entre US$ 12 bilhões e US$ 15 bilhões (cerca de R$ 64,8 bilhões a R$ 81 bilhões). Há outras estimativas na mesma linha. O Banco Mundial estima US$19,6 bilhões (cerca de R$ 99,8 bilhões).