Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões para influenciadores por postagens contra o Banco Central

Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões para influenciadores por postagens contra o Banco Central

leandro santos
0


O banqueiro Daniel Vorcaro oferecia até R$ 2 milhões a influenciadores por postagens contra o Banco Central nas redes sociais.

A informação consta da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, que deflagrou mais uma fase da Operação Compliance Zero.

O ministro autorizou busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda Silva, apontado pela Polícia Federal como o principal articulador do esquema.

Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que o ex-dono do Banco Master encomendou ao publicitário um dossiê contra o CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, e a esposa, Camila.

A Polícia Federal interceptou diálogos em que o banqueiro pedia o levantamento de dados patrimoniais e fiscais confidenciais do executivo, com o objetivo expresso de vazar as informações e desmoralizar o casal na imprensa.

Numa mensagem enviada por Daniel Vorcaro para Thiago Miranda, o banqueiro diz: 'Estou precisando fazer um levantamento do Milton Maluhy. Está me causando muito problema. Me ajuda nisso?'.

No minuto seguinte, Thiago responde: Deixa comigo.

Em conversa posterior, Miranda diz a Vorcaro: “Passando o carnaval, falamos. Estou com tudo pronto do Milton. Mas quero fazer da mesma forma. Soltar por outro veículo.”

Segundo a Polícia Federal, eles compartilharam informações pessoais e patrimoniais do CEO do Itaú e da esposa. De acordo com os investigadores, o arquivo tinha o título "Família Maluhy - Relatório sobre Execução Fiscal - Caso Milton Maluhy Filho e Camila Moretti Maluhy".

A quadrilha também realizou um monitoramento ilícito contra jornalistas investigativos, como a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo e da CBN.

O grupo realizava buscas na vida privada da profissional para tentar barrar reportagens sobre as fraudes do banco.

A Polícia Federal já havia identificado o envolvimento de Thiago Miranda no "Projeto DV", que levava as iniciais do dono do Master, Daniel Vorcaro.

A estratégia desse projeto era contratar influenciadores para fazer uma campanha em massa falando bem do Master e questionando o processo de liquidação comandado pelo Banco Central.

Perto da virada do ano, perfis de direita, que normalmente só falam de celebridades, fizeram a campanha massiva nas redes sociais:


O contratos com influenciadores previam remuneração de até R$ 2 milhões por três meses de trabalho, com 8 postagens mensais.

Para evitar o vazamento e manter a aparência de um movimento orgânico contra o Banco Central, havia cláusulas de sigilo absoluto, com multa de R$800 mil.

Foi o que disse à Polícia Federal o vereador Rony Gabriel, do Podemos de Erechin, no Rio Grande do Sul. Em janeiro, ele confirmou as informações numa entrevista à Globonews:

De acordo com a Polícia Federal, o publicitário Thiago Miranda pressionou o executivo Renato Breia, da Nord Investimentos, e a jornalista Consuelo Dieguez, da revista Piauí, para que removessem de circulação conteúdos considerados prejudiciais aos negócios de Daniel Vorcaro.

A jornalista da revista Piauí recusou o pedido e orientou o investigado a enviar uma carta formal à Redação.

Já a consultoria Nord Investimentos confirmou que foi insistentemente procurada pelo publicitário para apagar uma análise que recomendava aos clientes não investirem no CDB do Banco Master.

O publicitário Thiago Miranda foi o responsável por apresentar o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro no final de 2024.

Segundo a Polícia Federal, ele atuou diretamente na intermediação dos pagamentos de Vorcaro a um fundo nos Estados Unidos que seria usado para patrocínio do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Diálogos do celular de Thiago Miranda, revelados em maio pelo site Intercept Brasil, indicaram que o publicitário marcou encontros entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro e fez cobranças ao banqueiro por pagamentos atrasados.

As mensagens também mostraram que Flávio acertou diretamente com Vorcaro pagamentos de R$134 milhões , sob a justificativa de patrocinar o filme sobre o pai.

Em nota, a defesa de Thiago Miranda negou a prática de qualquer crime. Os advogados afirmam que a atuação profissional do publicitário sempre foi pautada pela "legalidade, transparência, respeito às instituições e pelo livre exercício da liberdade de expressão".
Tags

Postar um comentário

0 Comentários

Postar um comentário (0)

#buttons=(Tá bom, aceito!) #days=(20)

Aceite nossos termos de uso para melhor experiência! Leia aqui
Ok, Go it!