
Na manhã de hoje (14), o promotor de justiça, Maurício Gomes de Sousa, fez um balanço da operação que apreendeu documentos que eram acervos do Museu do Zé Didôr, em Campo Maior, que está fechado desde a sua morte em dezembro de 2022.
O promotor ressalta que Zé Didôr fez seu trabalho louvável quando vivo na preservação do patrimônio cultural do estado, mas após sua morte o museu foi fechado.
A operação Guarda-Mór foi deflagrada após denúncia da Associação Nacional dos Historiadores pois os estudantes não estavam tendo acesso ao acervo. O Museu de Zé Didôr é o maior museu particular do Brasil.
Foram apreendidos documentos de 1936 a 1938, inquéritos antigos, escrituras, livros de cartórios centenários. O Gaeco está catalogando todo o material que será analisado pela Universidade Federal do Piauí.
“A história de quem é piauiense está aqui apreendido, tem um valor histórico imenso. Os documentos mostram que as pessoas escravizadas eram escrituradas como posse”, disse o promotor.

O Gaeco cumpriu mandados de busca e apreensão em cinco endereços em Teresina, Campo Maior e Sigefredo Pacheco. A operação buscou artefatos relacionados à história do município de Campo Maior, do Piauí e da Batalha do Jenipapo, além de documentos do acervo judicial do Tribunal de Justiça do Estado.
O promotor disse que uma parte do material foi encontrado em uma residência no bairro Dirceu, em Teresina.
“O material estava abandonado, era como se fosse lixo. Documentos que temos noção da construção social do Estado, da compra e venda de pessoas escravizadas, de onde que essas pessoas vinham, quem comprava, quem era esse senhor. É a nossa história”, disse.
Alguns materiais do Tribunal de Justiça do Piauí foram doados informalmente para Zé Didôr. O promotor disse que após a perícia, o que for do TJ e da fundação do Zé Didôr será devolvido.