A Justiça Federal tornou réus mais de 70 pessoas envolvidas em um esquema de comércio clandestino de mercúrio para garimpos ilegais na Amazônia. Os acusados, denunciados pelo Ministério Público Federal, vão responder por formação de organização criminosa e contrabando.

As investigações apontam que, entre 2019 e 2022, o grupo comercializou cerca de 5 toneladas de mercúrio, com um lucro estimado em mais de R$ 5 milhões.
A rede evitava a fiscalização do Ibama injetando o metal líquido em peças de metal ocas, como pesos de academia, martelos e marretas. As cargas eram declaradas em notas fiscais como "bolas de ferro" ou "sucata". O grupo inseria dados falsos nos sistemas oficiais, simulando que o mercúrio vinha de reciclagem, para dar aparência de legalidade.
O mercúrio era importado de países como Bolívia, por via terrestre, no trecho de fronteira em Cáceres (MT); além de China e México, por meio do serviço postal para o Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP). O metal líquido também era adquirido por fornecedores, principalmente, de São Paulo. Um núcleo familiar do Mato Grosso coordenava todo o esquema por meio de empresas de fachada.
O uso de mercúrio na mineração causa danos graves e, muitas vezes, irreversíveis. Lançado nos rios, o metal atinge peixes e compromete a alimentação de comunidades ribeirinhas e indígenas. A exposição humana causa intoxicação crônica, tremores, perda de memória e atrasos no desenvolvimento das crianças.
A procuradoria pede indenizações que chegam a R$ 1,5 bilhão por danos ambientais coletivos e à saúde pública. O objetivo é que os custos de descontaminação, nos estados da Amazônia Legal, sejam assumidos pelos responsáveis pelos crimes.
A ação tramita na 9ª Vara Federal de Campinas (SP).
