Foto: Reprodução/Redes sociais

O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, publicou um vídeo de uma visita a um local não identificado onde está sendo construído um complexo destinado à execução de palestinos condenados por crimes de terrorismo. Nas imagens, o político de extrema-direita aparece diante das fundações da estrutura e afirma que será ali que "terroristas serão executados".
Segundo Ben-Gvir, o espaço terá ainda cabines de observação para que familiares de vítimas possam acompanhar os enforcamentos. Fotografias divulgadas pela imprensa israelense mostram uma escavadeira e obras pesadas em uma área isolada, que estaria localizada nas proximidades de uma prisão.
"Prometi piorar as condições dos terroristas nas prisões – e cumpri", afirmou Ben-Gvir em vídeo publicado no Instagram. "Prometi aprovar a lei da pena de morte para terroristas — e aprovamos. E agora o corredor da morte e o local de execução também estão começando a tomar forma."
A construção ocorre após a aprovação, neste ano, de uma nova legislação sobre a pena de morte em Israel. A norma determina que tribunais militares apliquem a execução como sentença para determinados crimes de terrorismo, salvo quando forem identificadas circunstâncias especiais que permitam a substituição da pena por prisão perpétua.
Na prática, a legislação deverá atingir palestinos julgados pelo sistema de tribunais militares israelenses. Israelenses judeus acusados de crimes semelhantes ficam fora do alcance da medida por causa de uma disposição segundo a qual a pena se aplica a assassinatos cometidos com a “intenção de negar a existência do Estado de Israel”.
A diferença de tratamento levou organizações de direitos humanos a acusarem a legislação de ser discriminatória. Na época da votação, a diretora sênior da Anistia Internacional, Erika Guevara-Rosas, afirmou que a medida desmontava salvaguardas destinadas a garantir julgamentos justos, além de reforçar o que ela chamou de sistema de apartheid.
Ben-Gvir foi um dos principais articuladores da proposta. O ministro, que possui condenações por incitação ao racismo, obstrução do trabalho policial e apoio ao movimento extremista Kach, ocupa o Ministério da Segurança Nacional desde 2022, com exceção de um intervalo de cerca de dois meses no ano passado.
Outras polêmicas
Ben-Gvir tem um longo histórico de declarações e gestos considerados provocativos. Em maio, ao completar 50 anos, comemorou o aniversário com um bolo decorado com a imagem de uma forca dourada feita de glacê e a frase “às vezes os sonhos se realizam”, em referência a essa lei específica que condena palestinos à morte por terrorismo.
Nesta semana, Ben-Gvir também esteve envolvido em nova polêmica ao participar de um podcast com Rom Braslavskim, ex-refém do Hamas em Gaza. Na ocasião, ele defendeu o "assassinato seletivo" de pessoas no enclave, onde, segundo o ministro, entre 30 e 40 pessoas deveriam ser executadas a cada noite.
"Acho que deveriam ser realizados assassinatos seletivos em Gaza, eliminando entre 30 e 40 pessoas a cada noite", disse Ben-Gvir no podcast, intitulado "8 de Outubro". "Não apenas quem representa uma ameaça imediata; há pessoas lá que não merecem viver. Não deveriam viver. Nem sequer são pessoas."
O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, classificou as declarações como "inaceitáveis e desumanas". O chanceler alemão, Friedrich Merz, também condenou o que chamou de "apelos desumanos" que violariam o direito internacional. Já o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, descreveu os comentários como "terríveis", "ultrajantes", "desumanizantes" e "perigosos".
Ben-Gvir já foi alvo de sanções internacionais por parte de vários governos. Em junho de 2025, Reino Unido, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e Noruega anunciaram medidas contra o ministro por repetidos episódios de incitação à violência contra palestinos na Cisjordânia; no caso britânico, as punições incluíram congelamento de bens e proibição de entrada no país.
Em 2026, França e Irlanda também proibiram a entrada de Ben-Gvir em seus territórios, ampliando o isolamento internacional do político. O governo francês afirmou que foi a primeira vez na história que o país adotou uma medida desse tipo contra um ministro israelense em exercício.