Primeiros debates pelo governo dos estados são marcados por confrontos e trocas de acusações

Primeiros debates pelo governo dos estados são marcados por confrontos e trocas de acusações

leandro santos
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A TV Bandeirantes promoveu neste domingo o primeiro debate entre os candidatos aos governos estaduais. Participaram dos confrontos os postulantes de 12 estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará, Paraná e Bahia, além do Distrito Federal.

Em São Paulo, o embate entre o governador Tarcísio de Freitas e o ex-ministro Fernando Haddad foi nacionalizado, com trocas de ataques sobre a condução da economia e os repasses do governo federal ao Estado:

Tarcísio: 'Você realmente não tem nenhum conselho para dar para o presidente da República? Você que esteve na Fazenda esse tempo todo. Nós precisamos de ajuste ou não precisamos? É isso que nós precisamos saber, Haddad.'

Haddad: 'Tarcísio, o presidente Lula vai entregar a menor inflação acumulada em quatro anos, a menor taxa de desemprego da história e o dobro do crescimento do período Temer-Bolsonaro. Qual o conselho que você daria, fazer o que o Bolsonaro fez?'.

Tarcísio: 'A gente continua com a taxa de crescimento baixa, a gente continua com a taxa de investimento baixa, a gente continua com a produtividade baixa e a gente está caminhando para uma situação problemática, uma situação de recessão.'

O ex-ministro questionou as privatizações promovidas pela atual gestão, citando a Sabesp e as linhas de trem. O governador justificou as entregas à iniciativa privada por razões de eficiência e necessidade de investimentos.

Na área de segurança pública, Fernando Haddad criticou a gestão estadual e citou a infiltração de facções criminosas no estado, cobrando responsabilidades sobre a atuação do ex-secretário Guilherme Derrite.

Tarcísio defendeu as ações da pasta destacando operações conjuntas com o Ministério Público e o alcance dos menores índices de homicídios da história de São Paulo.

O debate registrou momentos de tensão em torno de temas como a desocupação da Favela do Moinho, no centro da capital:

Tarcísio: 'Tivemos a coragem, por exemplo, de desmobilizar o Moinho. Ninguém queria entrar no Moinho. E nós fomos lá, atiramos, prendemos o traficante do Moinho. Por sinal, nós temos uma cena ruim, que é a cena de membros do poder, inclusive o doutor Fernando Haddad, no palco com a traficante que comandava o tráfico na favela do Moinho depois da operação. Nós temos coragem para resolver o problema'.

Haddad: 'Ô Tarcísio, que deselegância, rapaz. Você acha que eu conheço o tráfico como você conhece? S.e você sabia que ela era uma traficante, por que você não foi lá prender?'

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado foi marcado por intensos ataques ao ex-prefeito Eduardo Paes, que lidera as pesquisas e não compareceu ao evento.

O encontro contou com a presença dos candidatos Douglas Ruas, do PL; Anthony Garotinho, do Republicanos; William Sirí, do PSOL; e André Marinho, do Novo.

Presidente da Assembleia Legislativa, Ruas foi outro alvo dos participantes, como William Sirí, do PSOL:

William Siri: 'Você, há poucos meses atrás, falou e disse, meu sonho é ver você, Rodrigo Bacelar, como governador, não quero ir para o TCE não. Isso na Alerj, foi a público. Então, Douglas Ruas, a grande questão é a seguinte, se nós não tivéssemos uma operação da Polícia Federal colocando o Rodrigo Bacelar na cadeia, ele seria o governador'.

Douglas Ruas: 'Para deixar bem claro, eu não sou candidato de ninguém, eu tenho uma identidade própria, eu sou o Douglas Ruas, sou um servidor público de carreira. Nos últimos 12 anos, servi em diferentes funções públicas e nunca escolhi chefe, sempre escolhi a missão. E pela primeira vez na história, um deputado foi preso e eu, como presidente, não submeti ao plenário para avaliação, porque entendo que não cabe'.

Ceará
No Ceará, o primeiro debate entre os candidatos ao governo do Estado reuniu o atual governador Elmano de Freitas, do PT, e Ciro Gomes, do PSDB. O candidato Pedro Brito, do Novo, não compareceu.

O atual governador tentou associar Ciro Gomes ao bolsonarismo, por causa da articulação de uma aliança que motivou a briga entre a ex-primeira-dama Michelle e o senador Flávio Bolsonaro:

Elmano de Freitas: 'É por isso que aqui e lá o pessoal está lhe dizendo que você é mesmo Cironaro, porque você confunde o que é o governo do presidente Lula, que melhora a vida do povo, e está aí de braço dado com a turma do Bolsonaro. Nós não'.

Ciro Gomes: 'O sangue está esquentando e a elegância está indo embora. Ele sabe, me conhece há 40 anos, eu pelo menos, ele sabe que eu não tenho nada a ver com candidato nenhum. Eu fui candidato a presidente da República, você sabe disso, quatro vezes. E o último debate que eu participei, se duvidar, foi eu, o Lula e o Bolsonaro. Nós discutimos claramente porque eu represento outra coisa, o resto é para fazer intriga com você'.

Paraná

No Paraná, o senador Sergio Moro, do PL, não participou do primeiro debate entre os candidatos ao Governo, promovido pela TV Bandeirantes. Os candidatos Requião Filho, do PDT, e Sandro Alex, do PSD, criticaram o ex-juiz da Lava-jato por ter faltado ao debate.


Distrito Federal

Em Brasília, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão, do Progressistas, foi o principal alvo de críticas. A crise envolvendo o BRB e o Banco Master centralizou os ataques de adversários como Leandro Grass, do PT, e José Roberto Arruda, do PSD.

Demais estados

Também houve debates na Bahia, no Rio Grande do Sul, Amazonas, Goiás, Rio Grande do Norte e Maranhão. Em Minas Gerais, o confronto foi adiado para o dia 16 devido a acertos e indefinições de coligações acordados entre a emissora e os partidos.
Fonte CBN
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