2 milhões de pessoas tiveram os aplicativos como principal fonte de renda ao trabalhar por meio de plataformas digitais em 2025, conforme levantamento divulgado nesta sexta-feira pelo IBGE.

O estudo integra o módulo Trabalho por Meio de Plataformas Digitais da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) e foi realizado em parceria com a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e o Ministério Público do Trabalho.
O levantamento traz uma radiografia do trabalho por meio de plataformas digitais no Brasil, como explica o analista da pesquisa do IBGE, Gustavo Geaquinto Fontes:
"Os principais objetivos do módulo: levantar informações sobre o perfil sociodemográfico dos trabalhadores que exercem seu trabalho por meio de plataformas digitais e sobre as características e condições do trabalho. E também a gente busca melhor compreender o papel das plataformas em relação a aspectos relevantes do trabalho, investigando a dependência dos trabalhadores platformizados quanto ao valor a ser recebido pelo trabalho realizado, aos prazos para cumprimento de tarefas, além da influência das plataformas na determinação da jornada de trabalho dessas pessoas."
De acordo com o estudo, a população ocupada de 14 anos ou mais de idade somou 102,4 milhões de pessoas, das quais aproximadamente 2 milhões realizavam trabalho por meio de plataformas digitais de serviços, seja no trabalho principal ou no secundário, o que corresponde a 1,9% do total de ocupados.
Dos profissionais que responderam à pesquisa, 26,8% informaram que a flexibilidade era o principal motivo de utilizar essas plataformas para trabalhar, enquanto 24,6% alegaram como motivo não conseguirem encontrar outro trabalho.
O estudo revelou que, embora os profissionais que trabalham por meio de plataformas tenham uma jornada semanal média 5,4 horas superior à dos demais ocupados no setor privado, a remuneração de ambos é praticamente idêntica.
Enquanto os primeiros receberam em média R$ 3.147 por mês, os que não usam as plataformas obtiveram R$ 3.148.
A pesquisa traçou também o perfil dos trabalhadores que usam plataformas digitais de serviços como principal fonte de renda: os homens predominam com 84,4% do total, enquanto as mulheres representam apenas 15,6%.
Ainda de acordo com o levantamento, 210 mil trabalhadores por conta própria ou empregadores em atividades do comércio utilizaram plataforma de comércio eletrônico para obter clientes e vender produtos em 2025.
