Desenrola 3.0 terá custo de R$ 15 bilhões aos cofres públicos

Desenrola 3.0 terá custo de R$ 15 bilhões aos cofres públicos

leandro santos
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O "Desenrola 3.0" lançado pelo governo às vésperas do primeiro turno das eleições terá um custo de R$ 15 bilhões saos cofres públicos. Segundo o governo, a terceira etapa do programa pretende acabar com até R$ 150 bilhões em dívidas das famílias brasileiras.

A União deve comprar com desconto mínimo de 90% as dívidas das instituições financeiras credoras e repassar esse desconto para os devedores, que vão poder quitar a dívida à vista ou parcelar o saldo remanescente.

O programa será voltado a dívidas de até R$ 10 mil de cartão de crédito, incluindo o rotativo e o parcelado, e de crédito pessoal sem consignação em folha. Serão contempladas dívidas com atrasos entre dois e quatro anos e meio.


A principal novidade é que a União poderá comprar, em leilão, carteiras de dívidas que não foram pagas e repassar integralmente ao devedor o desconto obtido na operação. A operação poderá contar com a participação da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil, que poderão ajudar na compra dessas carteiras. Segundo o governo, os gastos da União com o programa vão estar previstos nos Orçamentos de 2027 e 2028.


Apesar do programa ter sido lançado agora, a entrega das propostas só começa em novembro, com homologação em dezembro e assinatura de contratos em janeiro de 2027. Os descontos só devem acontecer em fevereiro.


O economista Roberto Troster considera positiva a preocupação com o endividamento, mas critica a falta de medidas que ataquem as causas do problema. Para ele, é preciso reduzir a tributação e aumentar a transparência nas operações de crédito.



"Você está curando os sintomas. Você tem que acabar com a causa da inadimplência, e a causa da inadimplência um é a tributação do crédito. Você pega dinheiro emprestado e paga IOF. Você deveria cobrar de quem aplica, de quem recebe juros, e não de quem paga. Segundo: você não tem regras de precificação, é um vale-tudo. Terceiro: você não tem transparência. Quer dizer, há um bombardeamento de taxas diferentes. Você vai pegar qualquer extrato: cartão de crédito, taxa ao mês, taxa ao ano."




A principal diferença do Desenrola 3.0 para a edição anterior é a participação direta da União. No Desenrola 2.0, o governo apenas criou regras para facilitar a renegociação de dívidas com atrasos de 90 dias a dois anos.

Em nota, a Federação Brasileira de Bancos disse que recebeu de forma positiva o Desenrola 3.0 e que está preocupada com o aumento da inadimplência e com o impacto das dívidas sobre as famílias. Segundo a Febraban, a expectativa da entidade é que o programa alivie a situação financeira das famílias e também contribua para melhorar as condições de crédito no país.
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