Em meio à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que os fatos graves envolvendo ministros estão sendo investigados e garantiu que a resposta será firme e rigorosa, sem precipitação nem omissão. Durante discurso em evento no Palácio do Planalto, ele também defendeu a adoção de um código de ética para os ministros, o fim do inquérito das fake news e a modernização da Justiça. Fachin voltou a defender o entendimento republicano entre os Três Poderes como forma de fortalecer a democracia.
O ministro afirmou que o diálogo entre as instituições deixa de ser apenas uma exigência da República e se transforma em algo concreto para a vida das pessoas.
O presidente Lula aproveitou o evento para cobrar respostas. Sem citar nomes, afirmou que ninguém pode usar o cargo que ocupa em benefício próprio, em nome da democracia. Lula disse que há uma grande expectativa da sociedade sobre o presidente do Supremo e sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O presidente criticou o que chamou de "vazamentos seletivos" e alertou que, se a indústria de notícias falsas não for freada, a Justiça vai perder a credibilidade.
O encontro presencial aconteceu um dia depois de o presidente Lula se manifestar pela primeira vez desde o início da desavença, cobrando o próprio Fachin e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que também participou do evento, a liderarem um processo que garanta a integridade das investigações do caso Master.
Na ocasião, Lula disse haver suspeitas de envolvimento de agentes públicos e políticos no maior roubo da história do Brasil, criticou o que chamou de vazamentos seletivos e ressaltou que é hora de colocar o compromisso público acima de qualquer interesse individual, defendendo ainda reformas profundas nos sistemas político e judiciário.
A crise no Supremo se tornou pública depois que o ministro André Mendonça, relator do caso Master, divulgou 53 mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Nas conversas, Vorcaro pede intermediação para obter proteção da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República e pergunta se deveria deixar o país. A situação se agravou quando Moraes reagiu e pediu que Mendonça seja investigado no inquérito das fake news, acusando o colega de agir por motivos políticos e pessoais.
Para tentar contornar a situação, Edson Fachin abriu um procedimento e deu prazo de cinco dias úteis para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República e o diretor-geral da Polícia Federal prestem informações oficiais.