O ministro Alexandre de Moraes nega que tenha favorecido Daniel Vorcaro ou o banco Master e diz que a decisão de André Mendonça é inconstitucional e ilegal. A manifestação foi enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, no início desta madrugada, a poucas horas da sessão inédita que pode abrir a primeira investigação da história de um ministro.
É a primeira vez que Moraes se manifesta publicamente sobre o relatório da Polícia Federal que revelou mais de 50 mensagens enviadas a ele pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
No documento, Moraes sustentou que a apuração determinada monocraticamente pelo ministro André Mendonça afronta a Constituição por não ter partido de requerimento da PGR nem de aval do plenário do STF.
Ao rebater a suspeita de vazamento de informações sobre a Operação Compliance Zero, o ministro enfatizou que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal com passaporte verdadeiro e o próprio celular no Aeroporto de Guarulhos enquanto tentava deixar o país.
Moraes argumentou que a apreensão do aparelho e a consumação do mandado comprovam que Vorcaro foi pego de surpresa, ressaltando ser ilógico supor vazamento de uma diligência que atingiu plenamente seus objetivos práticos.
Ao contestar o valor probatório dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, Moraes argumentou que a Polícia Federal baseou suas deduções em arquivos de texto unilaterais e ignorou hipóteses fáticas elementares:
Diz a defesa de Moraes: "Em relação às supostas anotações no bloco de notas, o relatório ignorou todas as possibilidades e cita, por exemplo, a possibilidade de o conteúdo do bloco de notas não ter sido efetivamente enviado a alguém".
O ministro frisou na peça que a investigação não reuniu nenhum indício de que ele tivesse conhecimento prévio da decisão judicial de primeira instância que decretou a Operação Compliance Zero, refutando contatos com autoridades ou vazamento de dados.
O magistrado reiterou que nunca praticou ato de ofício em benefício do Banco Master ou de Vorcaro e lembrou que jamais participou de qualquer processo envolvendo a instituição financeira.
Alexandre de Moraes acusou diretamente André Mendonça de ter conhecimento prévio das menções ao seu nome na documentação apreendida e de omitir intencionalmente o envio imediato dos autos ao plenário do STF.
Para Moraes, o relator original preferiu conduzir uma investigação à margem das regras processuais com o objetivo de utilizá-la publicamente no calendário político que julgasse mais conveniente.
Em ataque contundente ao teor do documento da Polícia Federal, Alexandre de Moraes declarou que o relatório é absolutamente nulo por conter ilações infundadas, fragmentos descontextualizados e desvio de finalidade na sua elaboração.
A defesa do ministro afirmou expressamente que houve direcionamento de André Mendonça para tentar incriminar um colega da Corte e o presidente do Senado Federal, visando beneficiar determinado grupo político na disputa eleitoral de outubro de 2026.
Defesa de Mendonça
Também em ofício encaminhado à Presidência do tribunal, o ministro André Mendonça justificou os atos que adotou no inquérito, incluindo a reunião presencial que realizou com delegados do caso sem aviso prévio a superiores.
Mendonça explicou que a cautela foi indispensável porque os nomes do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, constavam nas mensagens atribuídas a Vorcaro dirigidas ao interlocutor apontado pela PF como Moraes.