Após o discurso do Secretário-Geral, António Guterres, com leitura do relatório, o presidente Lula abre os discursos de líderes na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (22). O evento acontece em Nova York, nos Estados Unidos. Logo em seguida será a vez do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, discursar.
Logo na abertura, Lula disse que esse é o momento mais crítico das Nações Unidas. Ele destacou que a credibilidade da ONU nunca esteve tão baixa e que o sentimento é de indignação:
“Desde que ocupei pela primeira vez esta tribuna em 2003, este é o momento mais crítico das Nações Unidas. O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar a humanidade do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena. Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel”.
Lula criticou as guerras, disse que as tensões geopolíticas ameaçam transformar confrontos regionais em uma conflagração de proporções globais. Ele acrescentou que liderar é conciliar interesse da pátria com a da humanidade:
“A guerra não é a continuação da política por outros meios, é a falência total da política. No mundo interdependente, liderar é conciliar interesse da pátria com o da humanidade. Essa é a constatação de alguém que representa uma nação amante da paz e da liberdade”.
O presidente Lula defendeu a soberania nacional e foi enfático ao dizer que 'o Brasil não cabe no quintal de ninguém' e que diferenças ideológicas não podem ser obstáculos. ‘A democracia está novamente em xeque’.
"O Brasil não cabe no quintal de ninguém. Precisamos de parceiros com uma agenda positiva que fomente o desenvolvimento. Diferenças ideológicas não devem ser obstáculos para a maior integração entre vizinhos. Os países da região reconheceram os horrores do regime de exceção. Percorremos um longo caminho para restaurar a vontade popular. A democracia está novamente em xeque. Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais por recursos estratégicos constitui gestos anacrônicos".
Ao falar sobre o crime organizado, ele declarou:
'Não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas fronteiras e de garantir a população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas. Precisamos de cooperação para estancar o fluxo de armas e de dinheiro que abastece o crime organizado. Esse é o espírito da proposta que entreguei pessoalmente ao presidente dos Estados Unidos'
O presidente brasileiro e candidato à reeleição citou as eleições que acontecerão em outubro e declarou a existência de uma disputa entre a democracia e o negacionismo. Ele disse que não irá ceder as pressões de 'inimigos da democracia externos e internos que ameaçam a vontade popular'.
'Ninguém, ninguém, nos afastará desse caminho', conclui.
Lula também aproveitou para falar de temas eleitorais, como a defesa do Pix, combate às bets e o fim da escala 6x1.