A terceira fase da Operação Carbono Oculto é realizada nesta manhã contra executivos do mercado financeiro e empresários suspeitos de participar de um esquema de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
Entre os alvos estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-diretor do Banco Genial, os irmãos dele, André e Bruno Tupinambá, e o empresário Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos.
Antonio Carlos Freixo Junior também é investigado no caso do Banco Master e assinou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.
Batizada de Crédito Oculto, a operação reúne Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Secretaria da Fazenda e Procuradoria-Geral do Estado.
Os agentes cumprem 27 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo.
Como funcionava o esquema?
A investigação tenta descobrir como o grupo teria usado empresas e fundos de investimento para esconder patrimônio e lavar dinheiro na compra da Tobras Distribuidora de Combustíveis, conhecida como Terrana.
Segundo o Ministério Público, o esquema começou com a ocultação dos verdadeiros donos de uma usina de açúcar e etanol no interior de São Paulo.
Em uma das operações investigadas, cerca de R$ 370 milhões em direitos que a usina tinha a receber foram negociados por empresas e fundos ligados ao mesmo grupo.
A análise financeira indica que parte do dinheiro usado nessa operação veio de fundos controlados pelos próprios investigados. Para o Ministério Público, isso criou uma espécie de circuito financeiro que dava aparência legal às movimentações e dificultava descobrir quem realmente estava por trás dos negócios.
Depois, a usina teria sido usada para financiar a compra da distribuidora de combustíveis.
De acordo com a investigação, R$ 100 milhões enviados pela organização criminosa chegaram à conta da usina. Antes disso, o dinheiro passou rapidamente por várias empresas e contas de fintechs, usadas como contas de passagem.
Segundo os investigadores, o dinheiro passou por uma operação bancária que permitiu que duas empresas de fachada recebessem crédito e participassem da compra da distribuidora.
Dessa forma, a origem do dinheiro e os verdadeiros responsáveis pela aquisição ficavam mais distantes uns dos outros.
A investigação aponta ainda que imóveis ligados aos envolvidos foram transferidos para empresas e depois para fundos imobiliários. Assim, os bens continuavam sob o controle do grupo, mas não apareciam diretamente no nome dos investigados.
Movimentações bilionárias chamaram atenção
Uma das empresas financeiras envolvidas nas operações movimentou cerca de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025. Para os investigadores, o volume, somado às demais evidências, reforça os indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
A investigação também aponta que laranjas teriam sido usados para esconder os verdadeiros donos dos recursos e dos negócios. As suspeitas são baseadas em relatórios do Coaf, documentos bancários, informações fornecidas pelo Banco Genial e mensagens encontradas em celulares apreendidos em fases anteriores.
Os principais apontados como chefes da organização são Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Os dois não são alvos de busca nesta terceira fase.
A Operação Carbono Oculto começou em agosto de 2025 para investigar a infiltração do PCC no setor de combustíveis. Na primeira fase, os investigadores identificaram empresas, fintechs e fundos usados para movimentar e esconder dinheiro.
Na segunda fase, a investigação avançou sobre o papel de seis fintechs. Segundo o Ministério Público, essas empresas teriam movimentado mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.
Agora, na terceira fase, os investigadores aprofundam a apuração sobre os operadores financeiros e sobre a estrutura usada para esconder a propriedade da usina e, depois, financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis.
O que diz o Banco Genial
Em nota, o Banco Genial afirma que Humberto Tupinambá não faz parte da diretoria nem é sócio da instituição desde maio deste ano, quando foi destituído. O banco diz que forneceu todas as informações solicitadas e abriu uma investigação interna.