Brasil está julgando 40 pelo roubo de ouro da Amazônia que abastecia joalherias da Itália

Brasil está julgando 40 pelo roubo de ouro da Amazônia que abastecia joalherias da Itália

leandro santos
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Na pauta dos temas tratados pelos candidatos às diversas esferas político-administrativas durante o 1º Turno das Eleições Gerais no Brasil, a questão mineral sempre esteve presente, muitas vezes trazida de modo demagógico, sem elementos de fundamentação confiáveis.

Viu-se, assim, facetas novas sobre nossos minerais e seus potenciais, muitas promessas e a constatação de alguns avanços nas mecanismos que o país precisa para instrumenalizar, como a sanção da Lei 15.506/2026, pelo Presidente Lula, durante o mês de setembro deste ano.

Esse instrumento legal que criou o Marco Regulatório da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, estabeleceu o Fundo Garantidor da Atividade Mineral (FGAM), com participação da União de até R$ 2 bilhões, e o Programa Federal de Beneficiamento e Transformação de Minerais Críticos e Estratégicos (PFMCE). O programa poderá conceder créditos fiscais de até R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034 para empresas que realizem beneficiamento, transformação mineral e mineração urbana no país.

O foco na trasição energética, na alta tecnologia e na condição real de que o Brasil possa explorar, beneficiar e comercializar os produtos dessa exploração mineral de maneira correta, nas terras certas, sem destruição da natureza e sem tirar o patriomônio das populações originárias, tem alguns objetivos muito claramente definidos: primeiramente, gerar valor agregado à exploração de minerais de todos os tipos demarcados em nosso território, assegurar relações comerciais e diplomáticas saudáveis que desejem se beneficiar desses recursos, proteger as terras indígenas e as reservas minerais de exploração predatória, impedir o contrabando e a presença do crime organizado internacional que se fixa nas conexões do grupos criminosos nacionais, e colocar o Brasil, que já se destaca pelo volume de minerais que ostenta, como um modelo de mineração perante o planeta.

Mas as notícias que sempre surgem- a desdepeito das demonstrações de autoridade e operacionalidade que o Governo Federal vem apresentando-, dão bem a dimensão do tamanho desse problema e a gravidade de sua realidade.

Agora mesmo, a Justiça Federal se prepara para uma série de julgamentos de figurões conhecidos como "barões do ouro", acusados de comandar um esquema criminoso que movimentou mais de R$ 10 bilhões e cerca de 20 toneladas desse metal extraído clandestinamente da Amazônia, extraído de terras indígenas e unidades de conservação. Trata-se aqui de conexões entre garimpeiros ilegais e contrabandistas que se abraçaram a poderosos chefões de refinarias na Suiça e ao polo Joalheiro de Arezzo, na Itália, e deverão responder pelos ilícitos que vinham há anos sendo praticados.

A Polícia Federal brasileira ( com apoio do Ministério Público Federal), que conduziu todas as operações para desconstruir essa quadrilha internacional de enorme poder logístico, refez as rotas do contrabando, desde a Amazônia até os Estados Unidos, a Europa, e o Oriente Médio, até chegar aos chefes das facções, agora todos acusados de usurpação mineral, lavagem de dinheiro, receptação, organização criminosa transnacional e gestão ilegal de instituições financeiras.

Por isso, além da prisão, a PF e o MP pedem à justiça federal que os criminosos paguem mais de R$ 10,6 bilhões em reparações por ururpação patrimonial, estragos ambientais, danos morais coletivos e impactos étnico-culturais às populações e terras indígenas.

No esquema multibilionário que esses grupos criminosos comandaram, a PF e o MP, com acolhimento pela Justiça Federal, três elementos principais são apontados como líderes: Brubeyk Garcia Nascimento, engeheiro mecânico e empresário de Goiás, apontado como o principal dos alvos da Operação Emboabas e acusado por integrar o esquema da Amazonia.

Outro é Dirceu Frederico Sobrinho, empresário, controlador da FD Gold DTVM e ex-presidente da Asscociação Nacional do Ouro. É apontado como a principal liderança financeira dos negócios clandestinos.

Finalmente, Isaac Fuhrmann Cula, gestor da Empresa Amazônia Comércio e daimportadora norte-amercicana OroReal LLC9 sediada em Nova York). É também acusado de atuar no financiamento do garimpo no curso do rio Tapajós(Santarém) ena compra do ouro das áreas protegidas.

Conforme revelações extraídas do processo que apura as Operações Emboaba e Ricezione (esta na Itália), a rota internacional do ouro brasileiro usava desde mulas em voos comerciais para Nova York a remessas faturadas como sucata para a Itália,a Suiça, os Emirados Árabes. Esse material levado da Amazônia quase sempre como sucata, aparecia refinado, a custos elevadíssimos, em joalherias de luxo, fundos de investimentos e nos microcircuitos de plataformas, servidores e smartphones.

Há esperanças de que as coisas melhorem, não apenas pela recuperação e reestruturação (embora ainda não plena) dos organismos de controle e fiscalização, mas pelo fato de que a partir de 2023, com mudanças na legislação pelo Governo Lula, e o fim da presunção legal de boa-fé nas declarações de origem apresentadas pelos exportadores, a obrigatoriedade da nota fiscal eletrônica e as novas regras contra a lavagem de dinheiro do garimpo, as estratégias fiquem bem mais difíceis para as organizações criminosas, e mais fáceis para as autoridades brasileiras.
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