A imposição de novas sanções dos Estados Unidos ao Tribunal Penal Internacional gerou forte condenação no mundo, com o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos classificando a medida como inaceitável. O anúncio das restrições ocorreu no mesmo dia em que a ex-juíza do tribunal Navi Pillay foi laureada com o Prêmio Nobel da Paz. Ao saber do prêmio, ela alfinetou o presidente Donald Trump.
A decisão dos Estados Unidos de impor novas sanções ao Tribunal Penal Internacional foi condenada publicamente por várias autoridades mundiais.
O atual Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou em um comunicado que as sanções são "inaceitáveis".
O governo do presidente Donald Trump impôs as sanções ao Tribunal Penal Internacional horas depois de uma das ex-juízas, Navi Pillay, ser anunciada como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, anunciou que Washington vai proibir transações com a Corte.
O Tribunal Penal Internacional é sediado na Holanda e foi fundado em 2002 para julgar crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio. Ele conta com 125 países como Estados-membros, incluindo todos os países da União Europeia e todos os membros da aliança da Otan, com exceção dos Estados Unidos e da Turquia.
A jurista sul-africana alfinetou o presidente Donald Trump depois de ter vencido o Nobel da Paz.
Ovacionada no Palácio de Justiça de Nuremberg, na Alemanha, Pillay brincou que “se fosse mais aplaudida, talvez dividiria o prêmio com Trump".
A fala faz referência à vencedora do Nobel da Paz do ano passado, a venezuelana María Corina Machado, que entregou a medalha a Trump durante uma reunião na Casa Branca, em janeiro. Machado dedicou o prêmio ao republicano, de quem é aliada.
Mais tarde, a sul-africana voltou a fazer referência ao presidente norte-americano, ao criticar países que têm "atacado" o Tribunal Penal Internacional, alvo constante do governo do republicano.
O comitê justificou a escolha do prêmio pela coragem e integridade de Pillay na atuação jurídica e esforços para promover a paz e o direito internacional.
A jurista contou que foi surpreendida com o prêmio
Pillay tem 85 anos e é ex-chefe dos direitos humanos da ONU. Ela foi a primeira mulher não branca na Suprema Corte da África do Sul, passou a vida dentro de tribunais e, ainda hoje, atua como juíza na Corte Internacional de Justiça, no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.
Ela atuou em papéis importantes como a garantia de que Nelson Mandela tivesse acesso a um advogado quando ele estava preso durante o Apartheid. Pillay julgou o genocídio em Ruanda, além de ter presidido o comitê contratado pela ONU que determinou que Israel cometeu genocídio na Faixa de Gaza.
