Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

O empresário Wesley, citado nas investigações sobre o assassinato de Francisco Wanderson do Nascimento Rego, de 27 anos, é investigado pela Polícia Civil por possíveis vínculos com pessoas apontadas como envolvidas no crime ocorrido em José de Freitas. A polícia também apura se ele teria fornecido apoio logístico para a execução do homicídio. O empresário prestou depoimento na sede do DHPP em Teresina na quinta-feira (1°).
Segundo o delegado Bruno Ursulino, responsável pelo inquérito, a investigação identificou vínculos entre Wesley e pessoas apontadas como envolvidas no assassinato. Por esse motivo, a polícia solicitou à Justiça mandados de busca e apreensão nos endereços relacionados ao empresário.
"Nós demonstramos que existem vínculos do Wesley com pessoas envolvidas nessa investigação e, exatamente em virtude desses vínculos, é que demonstramos para a Justiça a necessidade da busca e apreensão nos endereços dele", afirmou.
Durante o cumprimento dos mandados, em 23 de setembro, foram apreendidas armas de fogo, carregadores, munições e colete balístico em um imóvel relacionado ao empresário. Segundo Bruno Ursulino, também foram encontradas roupas camufladas, balaclavas e luvas em um sítio.
"A sua companheira se apresentou como proprietária do imóvel e acompanhou toda a diligência. Quando a nossa equipe estava realizando a busca dentro do seu quarto, mais precisamente no interior do closet, nós encontramos os armamentos: submetralhadora com seus carregadores e munições, colete balístico e um revólver", relatou.
O delegado afirmou ainda que a companheira de Wesley declarou, em depoimento acompanhado por advogado, que não sabia onde estava a documentação das armas. Segundo ele, ela informou acreditar que a submetralhadora possuía registro e que o revólver seria uma herança de família.
Bruno Ursulino também explicou que, segundo a investigação, Wesley teve os registros como Colecionador, Atirador e Caçador (CAC) cancelados em razão de responder a outro processo por homicídio. Por esse motivo, mesmo armas que anteriormente estivessem registradas passaram a estar em situação irregular.
"Então, minimamente, temos aí a posse ilegal da arma de fogo de tudo que ele pensava estar legalizado, porque não está. Então, as diligências relativas a esse caso vão continuar", declarou.
Materiais encontrados em sítio serão periciados
Além das armas apreendidas, a Polícia Civil encontrou em um sítio relacionado a Wesley roupas camufladas, balaclavas e luvas. Segundo o delegado, os materiais apresentam características semelhantes às que teriam sido utilizadas pelos suspeitos durante a invasão da residência de Francisco Wanderson.
Os objetos são tratados como elementos de investigação e ainda não comprovam a participação de Wesley no homicídio.
"Nós não podemos afirmar nesse momento se foi o mesmo material, mas eles estão sendo periciados e serão naturalmente comparados com os outros materiais apreendidos. Estamos falando de indícios, elementos e informações. Ao final, serão convertidos em provas de forma mais concreta, principalmente porque se trata de uma investigação em andamento", afirmou.
Segundo o delegado, a polícia apura se Wesley teria fornecido apoio logístico para a execução do crime e se poderia ser responsabilizado como partícipe.
"Até o momento, a gente continua apurando a questão de eventual apoio logístico por parte do Wesley; se eventualmente ele poderá entrar como um partícipe no auxílio material dessa questão. Mas aí são questões que continuam sendo apuradas e necessitam de retornos de laudos, que foram requisitados", disse.
Foto: Reprodução

Mandado de prisão
O delegado também explicou por que Wesley não foi preso na quinta-feira. Segundo Bruno Ursulino, existe um mandado de prisão contra o empresário, mas o cumprimento estava impedido pelo período de restrição previsto na legislação eleitoral.
" Desta forma, nossa equipe fica impedida, nos termos da lei, de dar cumprimento a esse mandado. No entanto, no decorrer do seu interrogatório, é questionado a ele, é questionado também à sua defesa, se, ao término dessa restrição, irá ocorrer a apresentação dele ou se serão necessárias diligências policiais para dar cumprimento a esse mandado”, explicou.
Ainda segundo o delegado, a polícia questionou se Wesley apresentaria o celular desbloqueado para o conteúdo ser analisado. Conforme Bruno Ursulino, caso isso ocorresse, a equipe poderia informar ao Poder Judiciário que não haveria necessidade de manter o pedido de prisão. O celular ainda não foi apresentado.
Relembre o caso
Francisco Wanderson foi morto a tiros na própria residência, na madrugada de 28 de julho, no bairro Santa Rosa, em José de Freitas, a cerca de 50 km de Teresina. Segundo as investigações, cerca de seis homens chegaram ao imóvel em uma caminhonete, utilizando coletes e armas longas e se passando por policiais civis.
Os suspeitos arrombaram a porta, invadiram a residência e efetuaram diversos disparos contra Francisco Wanderson, que morreu no local. Após o crime, o grupo fugiu em direção ao povoado Meruoca. A Polícia Militar informou que Francisco Wanderson possuía antecedentes por roubo e tráfico de drogas e havia deixado o sistema prisional recentemente.
Defesa nega envolvimento no crime
A defesa de Wesley Borges apresentou o empresário na tarde desta quinta-feira (1º). Ele foi ouvido pelo delegado Bruno Ursulino, responsável pelo caso, mas não permaneceu detido devido às restrições previstas no artigo 236 do Código Eleitoral. A defesa afirma que Wesley não tem participação no crime.
Segundo o advogado Francisco Silva, os endereços ligados a Wesley, foram inseridos na investigação como sendo de propriedade de John Lennon, preso em 23 de setembro e apontado pela polícia como participante do crime. Durante as diligências, foram apreendidas armas, coletes balísticos e roupas de camuflagem.
A defesa afirma que as armas pertencentes a Wesley eram registradas, que o revólver encontrado sem documentação não seria dele e que as roupas são de uso comum entre CACs. Os coletes, segundo os advogados, teriam sido adquiridos para uso dos seguranças do supermercado do empresário.
Wesley nega envolvimento no assassinato e admite conhecer John Lennon, mas afirma não ter relação de amizade com ele. Segundo o empresário, o contato entre os dois era relacionado a interesses eleitorais, já que ele atua como liderança política em União. A defesa também contesta a legalidade dos mandados de busca e apreensão e afirma que Wesley é vítima de perseguição política.
Investigação já tem sete presos
Em 24 de setembro, o DHPP prendeu Paulo André, apontado pela polícia como integrante do grupo suspeito de participar do assassinato. Segundo as investigações, ele esteve em José de Freitas no dia 27 de julho, acompanhado de Isaac, outro preso na investigação. Os dois teriam passado em frente à residência da vítima e indicado o imóvel a outros integrantes do grupo.
Paulo André também teria relação de amizade com John Lennon. Segundo a polícia, John Lennon aparece nas imagens da caminhonete branca utilizada para transportar os suspeitos até o local do crime. No momento da prisão, ele também foi encontrado com uma arma.
A investigação sobre a morte de Francisco Wanderson já resultou na prisão de sete pessoas. Segundo o DHPP, a polícia já identificou suspeitos que estariam diretamente relacionados à execução do crime, mas continua investigando possíveis responsáveis pelo apoio logístico.
No dia 23 de setembro, a Polícia Civil cumpriu mandados de busca em imóveis relacionados a Wesley. Durante as diligências, foram apreendidas armas de fogo e coletes balísticos. A participação do empresário no assassinato ainda é investigada.