Ex-gerentes do Banco do Brasil são alvos de operação por desvio de R$ 4 milhões

Ex-gerentes do Banco do Brasil são alvos de operação por desvio de R$ 4 milhões

leandro santos
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 Foto: Rayane Venancio/ Cidadeverde.com

DECCOR

Atualizada às 11h00

A Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) deflagrou, na manhã desta quarta-feira (28), a Operação Desfalque contra dois ex-gerentes do Banco do Brasil e a esposa de um deles, suspeitos de envolvimento em um esquema de fraudes bancárias que teria causado prejuízo de R$ 4,4 milhões à instituição. Segundo as investigações, os suspeitos teriam realizado saques em aproximadamente 63 contas correntes, a maioria pertencente a beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) já falecidos.

Foram cumpridos três mandados de busca e apreensão em Teresina e Goiânia (GO). Na capital piauiense, a polícia apreendeu cerca de 38 cartões bancários de terceiros, além de celulares, notebooks e veículos. Não houve prisões. O ex-funcionário, alvo em Teresina, era gerente de pessoa física em um escritório da capital e foi demitido por justa causa em julho de 2025.

Segundo a delegada Bernadete Santana, responsável pela investigação, os ex-gerentes utilizavam o acesso privilegiado aos sistemas do banco para consultar saldos e extratos, alterar dados cadastrais e senhas e emitir novos cartões. Com isso, conseguiam movimentar contas inativas sem autorização dos titulares ou necessidade de terceiros se passando por eles.

"Dois ex-gerentes teriam realizado fraudes bancárias utilizando acessos privilegiados, alterando senhas e emitindo novos cartões de aproximadamente 63 contas correntes vinculadas a beneficiários do INSS, a maioria deles já falecidos. Por meio desses acessos privilegiados, eles realizavam saques dessas contas bancárias", explicou.

Os investigados identificavam contas com saldo disponível e sem movimentação havia longos períodos. Após modificar os dados, retiravam os valores em caixas eletrônicos de diferentes agências do Piauí.

A maioria das contas pertencia a beneficiários do INSS já falecidos. Em alguns casos, os valores permaneciam depositados enquanto os bens dos titulares passavam por processos de inventário.

"Quando a pessoa falece, deixa a conta. Às vezes, está em processo de inventário, e a conta fica parada. Então, eles utilizavam essas contas que não apresentavam movimentação financeira. Faziam as alterações cadastrais, emitiam um cartão, criavam uma nova senha e realizavam os saques diretamente nos caixas eletrônicos", afirmou a delegada.

As fraudes teriam ocorrido entre janeiro de 2023 e 2025. Embora os saques fossem realizados no Piauí, as contas pertenciam a titulares de diferentes estados. O esquema foi identificado pelo próprio Banco do Brasil durante um procedimento administrativo interno. A instituição encaminhou uma notícia-crime à polícia, que iniciou as investigações.

O prejuízo estimado é de R$ 4.420.298,86. Conforme a delegada, o banco é considerado vítima por ser responsável pela guarda dos valores depositados nas contas.

Foto: Ascom SSP-PI

cartões e aparelhos apreendidos

Saques eram feitos de forma gradual

Segundo a investigação, os suspeitos retiravam os valores gradualmente, em diferentes dias. Em um dos casos, aproximadamente R$ 100 mil teriam sido sacados de uma única conta.

"Um dos titulares das contas tinha em torno de R$ 100 mil. Então, todo esse valor era sacado de forma gradativa, em quantias de R$ 2 mil e R$ 3 mil, no decorrer de vários dias. A investigação apura que a conduta criminosa começou em 2023 e terminou em 2025", relatou Bernadete Santana.

A polícia também obteve imagens de câmeras de segurança que, segundo a delegada, mostram os investigados realizando saques em agências bancárias. Um dos ex-gerentes foi identificado em um terminal de autoatendimento.

"Temos imagens de câmeras de segurança que apontam a presença deles nas agências realizando os saques. Inclusive, um deles foi identificado no próprio caixa de autoatendimento", acrescentou.

Esposa de ex-gerente também é investigada

A esposa de um dos ex-gerentes também é investigada por suspeita de participar dos saques. Segundo a delegada, a atuação da mulher foi identificada após análise de dados obtidos por meio de quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça.

"De acordo com a apuração realizada, a esposa também participava do esquema. Ela realizava saques juntamente com o esposo, no caso, o ex-gerente, e isso foi verificado por meio da quebra de sigilo bancário que solicitamos", afirmou.

Os dois ex-gerentes trabalhavam em agências do Banco do Brasil em Teresina e já foram demitidos. Um deles passou a morar em Goiás após o desligamento, motivo pelo qual parte dos mandados foi cumprida naquele estado.

A polícia ainda investiga se os suspeitos atuavam conjuntamente e se as fraudes continuaram após o desligamento de algum deles. "Atualmente, não podemos afirmar se existia uma ligação entre eles, mas essa informação será averiguada no decorrer da investigação", declarou. Até o momento, não foram identificadas fraudes praticadas em Goiás.

Foto: Ascom SSP-PI

EX-AGENTES BAMCP DO BRASIL

Justiça determina bloqueio de contas dos investigados

Além das buscas, a Justiça determinou o bloqueio das contas bancárias dos investigados. A possível recuperação dos valores desviados e sua destinação dependerão do andamento do inquérito e de decisões judiciais.

Nenhum dos três investigados foi preso. Segundo a delegada, nesta fase da investigação, foram solicitadas apenas medidas de busca e apreensão. "Não houve prisão. Como os dois já foram demitidos, não há necessidade de prisão neste momento da investigação", explicou.

A polícia também analisará os celulares, notebooks, veículos e cerca de 38 cartões bancários apreendidos para identificar possíveis novas movimentações e a participação de outras pessoas.

"Solicitamos a quebra de sigilo bancário, cuja análise já foi realizada. Agora, vamos analisar os materiais apreendidos, como celulares, notebooks, carros e cartões bancários de terceiros, em torno de 38 cartões. Vamos fazer essa análise e dar continuidade à apuração", afirmou.

Os três investigados são suspeitos dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A Polícia Civil não descarta a participação de outras pessoas no esquema. "Como a investigação ainda está em curso, vamos verificar se existiam outras pessoas que estariam dando apoio a esse esquema criminoso", concluiu a delegada.

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