O Supremo Tribunal Federal determinou hoje que a Polícia Federal abra um inquérito para investigar suspeitas de interferência estrangeira nas eleições presidenciais brasileiras. A decisão é do ministro Flávio Dino e procura apurar o financiamento internacional irregular e a manipulação de algoritmos por empresas de tecnologia.
De acordo com o ministro, os fatos "apontam para a intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral". Ele ressaltou ser "intolerável" que um Estado seja "constrangido, ameaçado ou submetido a mecanismos externos de coerção destinados a condicionar o exercício regular das competências atribuídas às suas instituições".
A investigação vai se concentrar em cinco pontos principais. O primeiro é a suspeita de que representantes da organização norte-americana Rockbridge Network tenham negociado apoio financeiro para a campanha de Flávio Bolsonaro.
O segundo refere-se à contratação de perfis estrangeiros para fazer publicidade a favor do mesmo candidato, utilizando a plataforma de apostas Polymarket.
A Polícia Federal também vai investigar a atuação de plataformas digitais. Documentos internos da Meta revelam que as contas do candidato Lula sofreram restrições técnicas, enquanto o perfil do adversário foi impulsionado pelo algoritmo de recomendação.
Além disso, a justiça vai analisar os serviços prestados pela empresa de cibersegurança Elytron, suspeita de vender ferramentas de manipulação política, e apurar se o financiamento da campanha envolve contrapartidas relacionadas com a exploração de minerais críticos no Brasil.
Em nota a Elyson nega envolvimento na disseminação de notícias falsas, no uso de deepfakes ou em operações clandestinas de influência política. A empresa afirma que as acusações publicadas pelo Intercept não têm provas e distorcem os fatos. Também nega ter prestado serviços à campanha de Trump ou autorizado ofertas de operações de influência em seu nome, e diz desconhecer Vincent Reed. Sobre os valores dos contratos, a Elytron afirma que não há discrepâncias: o contrato inicial de R$ 1 milhão foi cancelado e substituído por um aditivo de R$ 600 mil, além de R$ 131,9 mil pagos pelo PL por outra contratação. A empresa diz que tomará medidas judiciais caso parceiros tenham oferecido serviços irregulares sem autorização.
