Em grande derrota para Trump, democratas tomam controle da Câmara e do Senado nos EUA

Em grande derrota para Trump, democratas tomam controle da Câmara e do Senado nos EUA

leandro santos
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Em uma derrota grande para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Partido Democrata confirmou o que as pesquisas mostravam e vai controlar a Câmara dos Representantes e o Senado americano.

Pelos próximos dois anos, a oposição terá maioria nas duas casas, o que causará desafios ao governo do presidente republicano.

O Partido Democrata terá no mínimo 53 das 100 vagas no Senado e caminha para obter maioria expressiva na Câmara.

Uma projeção da rede NBC aponta 255 deputados democratas contra 180 republicanos. Como o total de parlamentares é de 435, o número para alcançar a maioria é 218.

Até agora, os democratas já conseguiram duzentas e dezenove vagas contra 126 do partido Republicano.

Os democratas conquistaram cadeiras no Senado americano em estados tradicionalmente republicanos, como Texas, Ohio, Iowa, Kansas e as Carolinas do Norte e do Sul.

Em uma surpreendente dupla vitória democrata em dois dos estados mais conservadores do país, James Talarico derrotou Ken Paxton no Texas, e Annie Andrews obteve uma vitória inesperada sobre Darline Graham na Carolina do Sul.

O partido de oposição também garantiu a reeleição de senadores em 11 Estados.

Entre os motivos apontados para a derrota de Trump está o aumento do custo de vida, principal preocupação dos eleitores americanos nas eleições de meio de mandato, segundo pesquisas de opinião.

A alta dos combustíveis e os efeitos econômicos da guerra contra o Irã contribuíram para a insatisfação com o governo Donald Trump.

As tarifas sobre produtos importados também estiveram no centro do debate eleitoral.

O presidente Donald Trump afirmou que não se arrepende das decisões tomadas nos dois primeiros anos do segundo mandato, apesar das derrotas republicanas nas eleições.

Em entrevista ao New York Times, ele disse estar disposto a aceitar os resultados e negociar com os democratas.

Numa postagem, o presidente postou imagem com a palavra “veto”, sinalizando como vai governar diante da oposição fortalecida.

Vitórias representativas

As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos foram marcadas por conquistas históricas de representatividade. Pela primeira vez, uma mulher negra e uma mulher indígena foram eleitas governadoras de estados americanos.

A Flórida e Wisconsin escolheram seus primeiros governadores negros.

O Texas elegeu a primeira governadora latina, enquanto New Hampshire terá o primeiro homem assumidamente gay no Senado.

A democrata Keisha Lance Bottoms foi eleita governadora da Geórgia e se tornou a primeira mulher negra a conquistar o governo de um estado americano.

Ex-prefeita de Atlanta, ela derrotou o republicano Rick Jackson. A vitória também encerra mais de 25 anos sem um governador democrata na Geórgia, estado considerado estratégico nas eleições presidenciais.
A democrata Gina Hinojosa foi eleita governadora do Texas, encerrando mais de três décadas de domínio republicano no estado. Ela derrotou Greg Abbott, que tentava conquistar o quarto mandato. Hinojosa se tornou a primeira mulher latina a comandar o Texas. A vitória representa uma das principais mudanças políticas das eleições americanas.

A democrata Deb Haaland foi eleita governadora do Novo México e se tornou a primeira mulher indígena a conquistar o governo de um estado americano. Ex-secretária do Interior e ex-deputada federal, ela venceu a disputa contra o candidato republicano.

Dois estados americanos elegeram seus primeiros governadores negros.

Na Flórida, o republicano Byron Donalds derrotou o democrata David Jolly e manteve o partido no comando do estado.

Em Wisconsin, o democrata David Crowley venceu o republicano Tom Tiffany. Aos 40 anos, Crowley já havia sido o primeiro negro eleito para comandar o condado de Milwaukee.

O democrata Chris Pappas foi eleito senador por New Hampshire e se tornou o primeiro homem assumidamente gay a conquistar uma cadeira no Senado dos Estados Unidos. Aos 46 anos, Pappas é deputado federal desde 2018 e copresidente do grupo parlamentar que atua em defesa da igualdade de direitos no Congresso americano.

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