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10 de set. de 2020

'Vacina deve ser bem de saúde pública acessível a todos', diz secretário da ONU

 

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, caracterizou as vacinas como "um bem de saúde pública" que deve ser "acessível a todos". Ele defendeu que os países se unam para desenvolver os tratamentos no combate ao novo coronavírus. "A pandemia está assolando o mundo e, hoje, é a principal ameaça. Devemos começar imediatamente acelerando todas as ferramentas que nos permitem salvar vidas", disse durante coletiva de imprensa da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira, 10.

De acordo com ele, todos os países precisam estar seguros para que a covid-19 seja combatida, por isso, ressaltou a importância da "distribuição equitativa" de insumos. O programa ACT Accelerator da OMS, que cobre imunizantes, ferramentas de diagnósticos e terapias para pacientes com o novo coronavírus, busca essa partilha para todo o mundo, segundo Guterres. Ele fez um apelo para que mais patrocinadores apostem na iniciativa e afirmou que são necessários pelo menos US$ 15 milhões (cerca de R$ 80 milhões) para a continuidade do projeto nos próximos três meses.

Ao citar ainda a resistência de algumas pessoas para a vacinação, Guterres destacou que essa também é umas das preocupações do programa ACT Accelerator. Segundo ele, a difusão de "informações pertinentes" sobre o imunizante é uma das "soluções mundiais" para que o mundo não fracasse no combate à pandemia. O princípio que se aplica é que nenhum país, não importa o quão rico, estará livre do coronavírus até que todos o tenham derrotado.

Neste mês, o presidente Jair Bolsonaro afirmou mais de uma vez que ninguém no Brasil será obrigado a tomar o imunizante contra a covid-19, embora uma legislação sancionada por ele no início do ano preveja a possibilidade de vacinação compulsória. A declaração ainda motivou críticas de especialistas, que temem risco de baixa adesão da população à vacina, o que é considerado essencial para frear a pandemia.

A OMS estima que a vacina pode custar entre US$ 10 e US$ 11 (entre R$ 53 e R$ 58). "As diferentes tecnologias têm preços diferentes, ainda não sabemos o preço final, mas estamos trabalhando com uma estimativa de dez a onze dólares por dose", disse à agência EFE a diretora adjunta para acesso a medicamentos e produtos para saúde, Mariângela Batista.

O preço final dependerá do tipo de vacina e, principalmente, da tecnologia utilizada. No entanto, independentemente disso, a intenção é evitar que os países com mais recursos acumulem vacinas quando forem colocadas no mercado, segundo a entidade.

O próximo dia 18 é o prazo para que as nações com capacidade de financiar a compra de imunizantes confirmem sua participação no Covax - setor do ACT Accelerator que cuida do desenvolvimento das vacinas contra a covid-19 - e indiquem quanto estão dispostos a investir. No momento, 80 países manifestaram interesse em assumir esse compromisso e outros 92 foram escolhidos para receber o apoio da plataforma.

Vacinação em massa

Na quarta-feira, dia 9, a cientista-chefe da OMS, Soumya Swaminathan, alertou que não espera que vacinas contra a covid-19 estejam disponíveis para a população em geral antes de 2022, embora os grupos de risco possam ser imunizados em meados de 2021. "Muitos pensam que no início do próximo ano haverá uma panaceia que resolverá tudo, mas não será assim: há um longo processo de avaliação, licenciamento, fabricação e distribuição", frisou a especialista durante sessão de perguntas e respostas na internet.

Soumya indicou que a OMS trata a primeira chegada de vacinas a vários países em meados do próximo ano como o cenário mais otimista, momento em que deverá ser dada prioridade aos grupos de maior risco, visto que então ainda não terão sido produzidas doses para toda a população. "É a primeira vez na história que precisamos de bilhões de doses de uma vacina", disse a cientista-chefe da entidade.

A declaração de Soumya foi dada um dia após a farmacêutica AstraZeneca anunciar que a vacina contra a covid-19, desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford, teve os estudos clínicos suspensos por suspeita de reação adversa grave em um dos voluntários participantes no Reino Unido. (Com agências internacionais).

 

Fonte: Estadão Conteúdo

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