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10 de mar. de 2021

Governo de SP estuda parar futebol e contraria Federação Paulista

 Uma reunião na noite desta terça-feira (9) com integrantes do governo do estado de São Paulo deve determinar a suspensão do futebol em todo o estado. A Federação Paulista de Futebol (FPF), no entanto, se posicionou de forma contrária à paralisação.

Foto - Rodrigo Coca - Agência Corinthians

Também nesta terça, o procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, recomendou ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), a suspensão das atividades esportivas no estado, em razão do momento da pandemia.

O documento, que será publicado no Diário Oficial do estado, pede que, diante da situação e por motivos de prevenção da saúde pública, ocorra a paralisação "de eventos esportivos de qualquer espécie, inclusive partidas de futebol durante a fase vermelha do Plano São Paulo".

A Federação Paulista de Futebol (FPF), no entanto, diz que espera que o governo de São Paulo mantenha o futebol em curso.

"Não há qualquer argumento científico que sustente a tese de que o futebol profissional gere aumento no número de casos. Pelo contrário, o futebol possui um protocolo extremamente rigoroso, com acompanhamento médico diário e testagem em massa de seus profissionais.

Uma eventual paralisação seria ainda mais prejudicial ao combate à Covid-19, pois deixaria expostos milhares de atletas, que não mais passariam a ter o controle médico diário e de testagem que o futebol oferece", afirmou a Federação, em nota.

A rádio CBN afirma que, nesta quarta-feira (10), Doria anunciará a suspensão. Questionada pela reportagem, a Secretaria de Saúde nem negou, nem confirmou a informação.

Nos bastidores, a Federação Paulista diz já estar preparada para uma possível suspensão. No entanto, reclama que não foi incluída no debate.

Já os clubes também reclamam por não saber o que está acontecendo e tem ligado à federação para pedir esclarecimentos.

Atualmente, o estado abriga a disputa do Campeonato Paulista. Também há times de São Paulo disputando a Copa do Brasil, como o Mirassol, que no próximo dia 16 tem compromisso marcado para receber o Red Bull Bragantino, e o Marília, que no dia 18 enfrenta o Criciúma em casa.

Times como o Corinthians e a Ponte Preta também disputam o torneio nacional, mas tem jogos agendados para fora do estado.

Essa seria a segunda suspensão do futebol em São Paulo. A primeira aconteceu no dia 16 de março de 2020 e durou até o final de julho.

O estado de São Paulo registrou 121 mortes e 4.224 novos casos da Covid-19 em 24 horas, nesta segunda-feira (8). A média móvel nacional de óbitos segue batendo recordes no Brasil.

O estado de São Paulo está na fase vermelha da quarentena, a mais rígida, desde o sábado (6), na qual só estão autorizados a funcionar os serviços essenciais. No entanto, o governo defendeu, na época do anúncio, que não era necessário suspender os campeonatos, que tem protocolos sanitários específicos aprovados.

"Vamos seguir o mesmo modelo que vem sendo seguido na Europa, onde vários países instituíram lockdown e mantiveram o futebol e esporte sem plateia'', disse então José Medina, do Centro de Contingência paulista contra o coronavírus. "Esse tipo de atividade é controlada, até porque a população precisa de algum tipo de diversão, de entretenimento."

A manutenção do futebol encontra respaldo no comando do futebol paulista, e também nacional. Ao jornal Folha de S.Paulo, Andrés Rueda, presidente do Santos, foi um dos poucos dirigentes do futebol brasileiro a defender medidas mais duras para o esporte.

"Com dor no coração, a situação está nos assustando muito, estamos perdendo a sensibilidade, falamos de vidas que não têm sentido de serem perdidas. Qualquer medida para salvar uma vida vale", questionado pela reportagem se defendia ou não a manutenção das competições.

"É uma opinião pessoal muito minha", prosseguiu o mandatário. "O Santos cumpre os protocolos, mas praticamente o elenco inteiro já pegou. Seria mais prudente, embora doa na carne, entrarmos em um período de paralisação. Suspender o campeonato mesmo, embora as entidades tenham tomado um cuidado excelente."

JOÃO GABRIEL, CARLOS PETROCILO E ALEX SABINO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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