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31 de ago. de 2021

Nordeste está mostrando como fazer a diferença



Nessa última sexta-feira, em Tóquio, o paraibano Petrúcio Ferreira tornou-se o atleta paralímpico mais rápido do mundo, conquistando medalha de ouro nos 100m rasos. Com deficiência nos membros inferiores, ele é mais um espetacular exemplo de superação e força. Esse ouro que o fez o homem mais veloz na sua categoria, soma-se a outros dois, conquistados nos Jogos Pan-Americanos de Lima, em 2019, além, igualmente, de outra medalha de ouro no Mundial de Atletismo, em Dubai.

Essa façanha de Petrúcio não nos surpreende, por sabermos ser ele do Nordeste. E isso não é galhofa. Trata-se de uma realidade que salta aos olhos. Senão, vejamos:


Petrúcio Ferreira ganha medalha de ouro nos 100m dos jogos Paralímpicos de Tóquio - Foto: Ivan Alvarado/Reuters


Nos recentes Jogos Olímpicos de Tóquio, nos quais o Brasil conquistou sua melhor posição em toda a história da competição, com 21 subidas ao pódio,das sete medalhas de ouro conquistadas, 4 foram alcançadas por atletas do Nordeste. O primeiro ouro veio com o potiguar Ítalo Ferreira, sendo, também, o primeiro ouro que o Brasil conquistou na história do surfe. Do interior do Maranhão, a jovem Rayssa Leal, de 13 anos, abraçou uma medalha de prata no skate street.


A Bahia reafirmou sua origem dourada e Ana Marcela Cunha subiu ao pódio com uma vitória arrepiante numa prova de maratona aquática, que teve dez quilômetros com duração de duas horas. Também veio da Bahia o outro ouro, conquistado por Herbert Conceição, no Boxe e Isaquias Queiroz, na canoagem.

Nordeste obteve mais medalhas de ouro do que o país Brasil nas Olimpíadas - Foto: Reprodução


Vê-se, assim, que o Nordeste obteve mais medalhas de ouro do que o país Brasil. Um detalhe importante: o Brasil chegou a Tóquio com uma delegação de 304 atletas, e desses eram só 47 os nordestinos, pouco mais de 15% do total. Se for estabelecida uma comparação, ver-se-á que os nordestinos demonstram estar muito mais preparados do que os demais brasileiros.

Se fosse um país, o Nordeste, nesses jogos olímpicos do Japão, ficaria à frente de nações poderosas como Espanha, Suécia, Suiça, Dinamarca, Bélgica, Bulgária, Portugal, Turquia, só para citar alguns.

Além de conquistarem medalhas, não apenas de ouro, mas prata e bronze, em diversas categorias, os nordestinos deram murros no preconceito, espancaram os incontáveis rótulos de inferiorização que contra eles são lançados em vários pontos do Brasil, especialmente no sul, e jogaram pesado contra a falta de apoio e incentivo, condições que lhes são negadas pelo estado brasileiro, pouco interessado na formação de atletas.


Além de conquistarem medalhas, os nordestinos deram murros no preconceito - Foto: Reprodução

Agora, com as competições dos Jogos Paralímpicos, o Nordeste mais uma vez começa a mostrar sua cara, reafirmando seu papel de grandeza, como já fez Petrúcio Ferreira na sexta-feira. A delegação brasileira é menor do que nos Jogos Olímpicos, com 229 paratletas, sendo 50 os nordestinos. Se fosse um país independente, o Nordeste também estaria muito bem representado, sendo a 23ª maior delegação, com 50 competidores. No continente americano, o Nordeste só é superado por Brasil (253), EUA (242), Canadá (130), México (60) e Argentina (57), o que significa que a região teria a sexta maior delegação do continente.


Mas quem imagina que essa grandiosidade exposta pelo Nordeste fica apenas no campo esportivo, precisará saber que a região também vem dando muito certo em outros terrenos, servindo de exemplo para o outro Brasil.

Uma dessas exposições positivas é a que vem sendo registrada pela geração de energias limpas, renováveis, algo rigorosamente inimaginável se retornarmos a um espaço temporal de 15 anos. Semana passada, a mídia brasileira anunciou que a produção de Energia eólica do Nordeste vai compensar a escassez de Sul e Sudeste, regiões que passam por crise no fornecimento de energia, afetadas pela pior seca dos últimos 91 anos, o que está afetando a produção de energia hidráulica em todo o país.

Produção de energia eólica no Nordeste vai compensar escassez de Sul e Sudeste - Foto: Reprodução


O Nordeste tem batido sucessivos recordes na geração de energia eólica. Os bons ventos soprados na região vão permitir respirar o restante do Brasil - muito responsável, diga-se, aliás, pelo desastre ecológico que se abate noutras regiões, com a eliminação de recursos naturais, queima de florestas e desaparecimento de recursos hídricos. O Nordeste, vê-se, está fazendo a diferença, com responsabilidade e olhar no futuro.

A geração de energia eólica, e também solar, tem batido um recorde atrás do outro, de temporada a temporada.

Hoje, quase 90% da energia consumida no Nordeste é oriunda dessas fontes renováveis e a região é responsável por gerar, hoje, 86% de toda energia eólica produzida no país. Em agosto de 2019, em apenas um dia, 89% de toda a energia consumida na região vieram dos ventos. No dia 13 de novembro de 2018, por um período de duas horas, 100% da energia consumida no Nordeste veio dos parques eólicos instalados na região.

Cabe observar que até pouco tempo energia eólica era considerada uma fonte “alternativa" de geração, mas devido seu crescimento extraordinário na última década, hoje ela já é uma fonte consolidada e passou a ter um papel fundamental na matriz energética brasileira. O salto da capacidade instalada das usinas eólicas em todo o país é surpreendente. Pulou de 935,4 MW, em 2010, para 12.966 MW em 2017. E considerando o que foi contratado em leilões, passou 17.452 MW em 2020, um aumento de 1.772% em uma década.

No Nordeste do Brasil, as condições favoráveis do vento, levaram a geração de energia por fonte eólica a bater recordes nos últimos anos. Dos 619 parques eólicos instalados no país, 523 estão localizados nesta região. Isso se deve não apenas à pré-existência de condições naturais adequadas a essa nova realidade, mas a uma nova mentalidade de governantes nordestinos, que tomaram a iniciativa de abrir portas a empresários do setor de energia renovável, propiciando este quadro de prosperidade. Estamos melhor que o Brasil.

Que o Nordeste, espero eu, possa ser entendido como essencial e necessário ao Brasil enviesado que nós temos.

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