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13 de ago. de 2021

Sexta-feira 13 traz má sorte? Conheça as origens culturais da superstição



Quando se trata de má sorte, existem poucas superstições tão difundidas na cultura ocidental quanto a de sexta-feira 13. Como cruzar com um gato preto e quebrar um espelho, a noção de um dia que pode trazer infortúnios está profundamente enraizada - mesmo que os crentes não consigam explicar por quê.

Existe até um nome para descrever o pavor irracional da data: parascavedecatriafobia - uma forma especializada de triscaidecafobia, um medo do número 13.

É importante dizer que, embora a sexta-feira 13 possa parecer um fenômeno raro, nosso calendário gregoriano indica que o dia 13 de qualquer mês tem uma probabilidade ligeiramente maior de cair em uma sexta-feira do que em qualquer outro dia da semana.

Não é, porém, uma superstição universal: na Grécia e nos países de língua espanhola, é a terça-feira, 13, que é considerado um dia de azar, enquanto na Itália, é sexta-feira, 17, que se depara com o medo.

Neste mês, porém, há apenas um no calendário: sexta-feira, 13 de agosto.

Gato preto é sinônimo de má sorte para os supersticiosos. (Foto: Pexels)

Como muitas superstições que evoluíram ao longo do tempo e através das culturas, é difícil localizar as origens precisas de sexta-feira 13. O que sabemos, porém, é que tanto a sexta-feira quanto o número 13 foram considerados azarados em certas culturas ao longo da história.

Em seu livro "Extraordinary Origins of Everyday Things", Charles Panati traça o conceito dos amaldiçoados de volta à mitologia nórdica, quando Loki, o deus da travessura, quebrou o portão de um banquete em Valhalla, elevando o número de deuses presentes para 13. Enganado por Loki, o deus cego Hodr foi enganado para atirar em seu irmão Balder, o deus da luz, alegria e bondade, com uma flecha com ponta de visco, matando-o instantaneamente.

Da Escandinávia, explica Panati, a superstição se espalhou para o sul por toda a Europa, tornando-se bem estabelecida ao longo do Mediterrâneo no início da era cristã. Foi aqui que o poder inquietante dos numerais foi cimentado por meio da história da Última Ceia, que contou com a presença de Jesus Cristo e seus discípulos na Quinta-feira Santa. O 13º e mais infame convidado a chegar, Judas Iscariotes, foi o discípulo que traiu Jesus, o que o levou a ser crucificado na Sexta-Feira Santa.

Na tradição bíblica, o conceito de sextas-feiras infelizes remonta ainda mais longe do que a crucificação: diz-se que o dia da semana foi quando Adão e Eva comeram o fruto proibido da Árvore do Conhecimento; o dia em que Caim assassinou seu irmão, Abel; o dia em que o Templo de Salomão foi derrubado; e o dia em que a arca de Noé zarpou no Grande Dilúvio.

Não foi até o século 19, no entanto, que sexta-feira 13 se tornou sinônimo de infortúnio: como Steve Roud explica em "O Guia dos Pinguins para as Superstições da Grã-Bretanha e da Irlanda", a combinação de sexta-feira e o número 13 é uma invenção vitoriana.

Em 1907, a publicação do popular romance de Thomas W. Lawson "Friday, the Thirteenth" captou a imaginação com a história de um corretor inescrupuloso que aproveitou as superstições em torno da data para deliberadamente quebrar o mercado de ações.

Avançando para a década de 1980, um assassino com máscara de hóquei chamado Jason Voorhees na franquia de filmes de terror "Friday the 13th" garantiu notoriedade. Então veio o romance de Dan Brown de 2003, "O Código Da Vinci", que ajudou a popularizar a alegação incorreta de que a superstição se originou com as prisões de centenas de membros dos Cavaleiros Templários na sexta-feira, 13 de outubro de 1307.

Trevo de 4 folhas traz sorte para muitos que acreditam. (Foto: Reprodução)

Uma história alternativa

Dada a massa de histórias carregadas de desgraça, você seria perdoado por pensar que sexta-feira 13 é de fato ameaçador. Se cavarmos mais fundo, porém, também encontraremos evidências de que tanto as sextas-feiras quanto o número 13 há muito são considerados um prenúncio de boa sorte.

Em tempos pagãos, por exemplo, acreditava-se que sexta-feira tinha uma associação única com o feminino divino. A primeira pista pode ser encontrada no nome do dia da semana, sexta-feira, que é derivado do inglês antigo e significa "dia de Frigg". Rainha de Asgard e uma poderosa deusa do céu na mitologia nórdica, Frigg (também conhecida como Frigga) foi associada ao amor, casamento e maternidade.

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