STF retoma atividades nesta sexta (1º) com cerimônia que deve ter manifestações de apoio a Moraes

STF retoma atividades nesta sexta (1º) com cerimônia que deve ter manifestações de apoio a Moraes

leandro santos
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O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta sexta-feira (1º) as atividades depois do recesso do Judiciário com uma cerimônia que deve ser marcada por manifestações de apoio ao ministro Alexandre de Moraes.

Esta semana, o governo dos Estados Unidos aplicou sanções ao magistrado, com base na Lei Global Magnitsky, criada para punir ditadores, corruptos e violadores dos direitos humanos. O presidente Donald Trump decidiu punir Alexandre de Moraes por causa do processo contra Jair Bolsonaro e medidas contra big techs que descumpriram as leis brasileiras.

Nessa quinta-feira (31), o presidente Lula recebeu seis dos 11 integrantes do STF num jantar de solidariedade a Alexandre de Moraes no Palácio da Alvorada. Além de Moraes, compareceram ao evento o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, e os ministros Gilmar Mendes, Cristiano Zanin; Flávio Dino; Dias Toffoli; e Edson Fachin.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet; o advogado-geral da União, Jorge Messias; e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, também participaram.

Segundo relatos de quem participou, o presidente Lula e os membros do STF reforçaram o discurso de soberania nacional diante da ofensiva estrangeira contra a Suprema Corte do Brasil. Lula repetiu que o governo aceita discutir as tarifas, mas reiterou que a atuação do Judiciário é inegociável.

Alexandre de Moraes afirmou durante o jantar que estava tranquilo e que dará continuidade normalmente ao trabalho como juiz. Segundo o jornal Folha de São Paulo, ele disse ao presidente Lula que dispensa a atuação do governo na defesa dele nos Estados Unidos.

Por determinação do presidente, a Advocacia-Geral da União representaria Moraes na Justiça americana para questionar as sanções financeiras impostas a ele pelo presidente Trump. Durante o jantar, Moraes afirmou que não pretende estabelecer relação com os Estados Unidos.

Mais cedo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que o ministro está sendo perseguido pelo governo americano:

'Nós somos signatários das convenções internacionais. Você não precisa ficar sequer preso, você tem uma legislação ampla de defesa dos direitos humanos, e talvez o Brasil seja uma das democracias mais maduras do mundo, ao contrário do que a ordem executiva faz crer. É um dos países mais democráticos do mundo hoje, o Brasil é signatário de todos os acordos internacionais. Então há muito caminho para buscar reparação quando uma injustiça está sendo cometida. Não parece ser o caso, e é por isso que nós temos que explicar que a perseguição ao ministro da Suprema Corte não é o caminho'.

Em entrevista ao jornal O Globo, o governador do Piauí, Rafael Fontelles, do PT, criticou a decisão do governo americano de punir o ministro Alexandre de Moraes e de misturar questões políticas com assuntos comerciais:

'A grande maioria do povo brasileiro se revolta com uma situação como essa, é algo muito grave e não tenho dúvida que as instituições do país irão se unir mais ainda na defesa da soberania brasileira e das instituições brasileiras. Realmente é muito reprovável o comportamento do presidente no momento em que ele mistura esses assuntos e não deveria fazê-lo. Se há interesses comerciais envolvidos, que se respeite a questão comercial e não tente invadir a competência das instituições brasileiras'.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, elogiou a decisão do governo Trump de aplicar sanções contra um ministro da mais alta Corte brasileira:

'Está claríssimo que nós temos tido, principalmente por parte do Supremo, do ministro Alexandre de Moraes, excessos. Então isso cria realmente um problema sério para a credibilidade do nosso sistema judiciário. E nesse caso específico, a ação foi contra ele. Eu acho que ele está pagando o preço daquilo que ele plantou'.

Nos Estados Unidos, os principais articuladores da punição ao ministro Alexandre de Moraes e do tarifaço contra os brasileiros foram o deputado Eduardo Bolsonaro e o influenciador Paulo Figueiredo. Durante o processo, eles disseram que iriam sabotar qualquer iniciativa de negociação que não incluísse a anistia a Jair Bolsonaro e aos golpistas do 8 de janeiro.

A Polícia Federal incluiu oficialmente Paulo Figueiredo, que é o neto do ex-presidente da ditadura militar João Figueiredo, no inquérito que investiga a atuação de Eduardo Bolsonaro contra interesses do Brasil nos Estados Unidos.

No PL de Jair Bolsonaro, o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, anunciou a expulsão do deputado Antônio Carlos Rodrigues, por ele ter defendido o ministro Alexandre de Moraes e criticado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O deputado disse que não foi comunicado oficialmente da expulsão do partido e afirmou que as críticas são fruto do exercício legítimo do mandato.

 Fonte CBN

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