Após o desgaste com a aprovação da PEC da Blindagem, que gerou manifestações em capitais brasileiras e foi enterrada no senado, a Câmara dos deputados aposta nesta semana em pautas mais sociais para limpar a imagem da casa. Para os próximos dias está prevista a votação do projeto que isenta do imposto de renda quem ganha até 5 mil reais, e prevê desconto progressivo pra quem tem salário de até R$ 7.350. Outra pauta prevista é do devedor contumaz - que prevê punições à empresas que não pagam tributos de forma reiterada, usando a inadimplência como estratégia de negócio.
A do imposto de renda, que tem relatoria do ex-presidente da câmara, Arthur Lira, deve ganhar destaque na casa, porque além de ter um cunho mais social, ela ganhou velocidade e após quatro anos parada, em dias foi pautada em aprovada no senado. Quem desenterrou foi o rival de Lira, o senador Renan Calheiros. Parlamentares disseram à CBN, que como Motta prometeu pautar na quarta, uma nova crise será gerada caso ele descumpra a promessa.
Quanto ao projeto do devedor contumaz, a câmara deve usar a votação como uma resposta às operações recentes que miraram o financiamento do PCC por meio do setor de combustíveis - um dos mais afetados pela ação dos devedores contumazes, que sonegam bilhões de impostos.
O cientista político, Melilo Dinis, avalia que com essas pautas a Câmara irá se recolocar.
'A Câmara dos Deputados está buscando se recolocar após a tragédia popular, pública e política, que foi a ideia de fazer o PL da blindagem. O presidente da Câmara, Hugo Mota, e toda a grande parte do núcleo duro da política na Câmara dos Deputados tenta colocar a anistia de lado, depois buscar a solução para o projeto do governo em relação ao imposto de renda E, do outro lado, a ideia de que a votação do projeto de lei do devedor com o Tomás possa ajudar a limpar a imagem da Câmara dos Deputados.'
Se por um lado as duas propostas - do devedor contumaz e imposto de renda - devem avançar, por outro o PL que prevê a redução de penas para condenados pelo 8 de janeiro e trama golpista ficará na gaveta. Líderes já descartam a votação do que ficou conhecido como PL da anistia, até porque MOtta deve querer evitar o desgaste de aprovar a medida impopular na casa, para ela ser, assim como a blindagem, enterrada no senado.
Fonte CBN