Duas pessoas morreram em razão de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica adulterada em São Paulo desde junho. As mortes aconteceram na capital paulista e em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
A informação é da Secretaria Estadual da Saúde, que aponta, ainda, outros quatro casos de intoxicação registrados. Dez episódios de pessoas contaminadas estão sob investigação neste momento.
Já o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou ter recebido a notificação de nove casos de intoxicação por metanol provocados por ingestão de bebida alcoólica adulterada desde o dia primeiro de setembro, com uma das mortes entre os registros.
Quatro pessoas estão internadas, e outras quatro receberam alta.
Na próxima segunda-feira, haverá uma reunião do comitê técnico do Sistema de Alerta Rápido — que reúne representantes de diversos órgãos nacionais e estaduais — para promover o avanço das investigações.
Segundo a secretária Nacional de Políticas Sobre Drogas e Gestão de Ativos, Marta Machado, existe a suspeita de que a situação tenha sido causada por um lote contaminado:
"A gente acredita que esses casos estejam interligados, justamente por ser um curto espaço de tempo e em diversas regiões. Se fossem todos ligados ao mesmo bairro, poderia ter sido uma coisa pontual. Ela (a notificação) é muito preocupante porque mostra a distribuição no estado. Pode ter sido a mesma proveniência, uma distribuição maior, um mesmo lote..."
Ela também apontou a possibilidade de uma quantidade maior de intoxicações ainda não identificadas. Os sintomas podem ser dores de estômago, náusea, visão turva, entre outros.
O registro que baseou a notificação do Ministério da Justiça foi feito pelo Ciatox, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica de Campinas, no interior paulista.
O Ciatox identificou, nos últimos dois anos, casos de intoxicação por metanol a partir do consumo de combustíveis por ingestão deliberada, em contextos de abuso de substâncias, geralmente associados à população em situação de rua.
O alerta mais recente, no entanto, mostra que os episódios foram provocados por consumo social, como em bares ou com produtos vendidos em lojas de conveniência, e com diferentes tipos de bebida, como os destilados gin, whisky e vodka.
Órgãos como a Anvisa, o Ministério da Saúde e a polícia de São Paulo já foram acionados.
Fonte CBN