O governo de São Paulo montou uma força-tarefa para investigar a execução de um ex-delegado-geral da Polícia do Estado que foi pioneiro no combate ao PCC. Ruy Ferraz Fontes estava jurado de morte pela facção criminosa e foi morto a tiros de fuzil após uma emboscada na cidade de Praia Grande, na Baixada Santista.
A polícia fez buscas durante esta madrugada, mas até agora ninguém foi preso. O delegado havia acabado de deixar o trabalho quando foi atacado. O caso aconteceu em uma das avenidas mais movimentadas da cidade, por volta das seis da tarde. Ele morreu no local e o corpo já está no IML central da capital paulista.
Durante a madrugada, os investigadores foram até Praia Grande e afirmaram que os criminosos atiraram mais de 20 vezes durante a ação.
O crime foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o veículo conduzido pelo delegado em alta velocidade sendo perseguido até bater em dois ônibus antes de tombar. Segundo as investigações, ele havia percebido que estava sendo seguido.
Logo depois, três homens com coletes a prova de bala e fortemente armados descem de outro veículo. Eles vão até o automóvel e disparam contra o delegado. Os criminosos usaram pelo menos três carros. Um deles foi encontrado abandonado perto do local do crime e outro, queimado, a dois quilômetros da execução.
Segundo a Prefeitura de Praia Grande, um homem e uma mulher que caminhavam pelo local também foram baleados, mas não correm risco de vida.
O Secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, determinou a ida do Batalhão de Choque e de policiais civis à cidade após a morte do delegado. A Polícia acredita que o delegado pode ter sido morto numa vingança do PCC ou por outro grupo do crime organizado na cidade de Praia Grande.
O atual delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, chegou à cidade no começo da noite para acompanhar a investigação. O governador Tarcísio de Freitas disse que ficou estarrecido com o assassinato e vai trabalhar para que os criminosos sejam presos e punidos pela Justiça.
Trajetória do delegado
O delegado Ruy Ferraz Fontes tinha 63 anos e começou a atuar contra o PCC no início dos anos 2000. Ele foi o primeiro delegado a investigar a atuação da facção criminosa no Estado, enquanto chefiava a Delegacia de Roubo a Bancos do Deic, o departamento da Polícia Civil de São Paulo.
Foi a equipe liderada por ele que indiciou a cúpula do PCC em 2006, que levou os criminosos a ficarem isolados em presídios de segurança máxima. Entre os presos transferidos estava Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, um dos chefes da organização criminosa.
Na época, a transferência fez com que a facção criminosa promovesse rebeliões em dezenas de penitenciárias e uma série de ataques contra agentes de segurança e alvos civis que aterrorizaram a população do Estado.
Há duas semanas, o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo foi entrevistado para um podcast em produção da CBN e do jornal O Globo. Na gravação, Ruy Ferraz Fontes revelou que vivia sem nenhuma proteção policial na cidade de Praia Grande.
Fonte cbn