ONU diz estar 'preocupada' com restrições de vistos americanos ao Brasil

ONU diz estar 'preocupada' com restrições de vistos americanos ao Brasil

leandro santos
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A Organização das Nações Unidas disse que estava 'preocupada' com a possível restrição de vistos de autoridades brasileiras para a Assembleia-Geral da ONU, que acontece na próxima semana.


O porta-voz do secretário-geral da organização, Stéphane Dujarric, comentou que esperava 'que os vistos sejam entregues, como enfatizamos no caso da delegação Palestina'.


Ele reforçou que, enquanto país-sede, os Estados Unidos tem obrigações a cumprir e uma dessas é liberar a entrada das autoridades para eventos.



'O acordo de sede exige que os EUA, nosso governo anfitrião, facilitem a viagem para os Estados Unido das pessoas que têm negócios diante desta organização', continuou.

O governo brasileiro protestou na ONU contra o atraso dos Estados Unidos na liberação de vistos para integrantes da delegação que vai representar o Brasil na Assembleia Geral da ONU, em Nova York. A uma semana da conferência, os ministros Alexandre Padilha, da Saúde, e Ricardo Lewandowski, da Justiça, ainda não obtiveram a autorização do governo americano para a viagem.


O diretor de Departamento de Organismos Internacionais do Itamaraty, Marcelo Marotta Viegas, destacou que os Estados Unidos têm obrigação legal de conceder o visto para os convidados da ONU.


Lula embarcará para Nova York no próximo fim de semana e fará o discurso de abertura da reunião da Assembleia Geral, na terça-feira (23).


No início de setembro, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, respondeu, durante coletiva de imprensa na Casa Branca que estava 'muito triste' com o Brasil. Ele diz que o governo Lula estava se tornando muito 'à esquerda' e 'muito diferente'.


Atualmente, o Brasil sofre com 50% de taxas do governo americano em especial por conta do alinhamento político de Bolsonaro e Trump. O governo brasileiro está entre os que mais está recebendo taxas por parte dos americanos.


O presidente americano levantou possibilidades de novas sanções, entre elas de revogação de vistos para a Assembleia Geral da ONU, na qual comentou que 'iria ver'. A resposta foi justamente sobre uma pergunta que abria margem para sanções contra autoridades brasileiras no evento.

'As tarifas estão muito altas por causa do que eles estão fazendo, o que é muito triste. Nós temos uma relação ótima com o povo brasileiro, mas o governo do Brasil mudou radicalmente. Tornou-se muito de esquerda radical, e isso está prejudicando muito o país. Eles estão indo muito mal'




Uma reportagem da Associated Press diz que depois de revogar o visto contra autoridades palestinas que iriam até a Assembleia Geral da ONU neste mês, o governo dos Estados Unidos planeja novas sanções contra outros países no evento, que ocorrerá em Nova York.


Entre os alvos está o Brasil, que tradicionalmente ocupa um lugar de destaque na reunião dos membros, que ocorre no dia 22 de setembro. Além das autoridades brasileiras, também seriam alvo de restrições e sanções as delegações do Irã, Sudão e Zimbábue.


Parte dessas restrições seria relacionada a capacidade para viajar para fora da cidade de Nova York, impedindo contatos com outras autoridades dos Estados Unidos e até mesmo reuniões bilaterais fora do estado.


A possibilidade da revogação de vistos também não é descartada, porém, não deve ser adotada contra esse grupo de países, segundo o memorando.


Essa reportagem destaca que não há informações se as potenciais restrições afetariam o presidente Lula ou membros do governo. O brasileiro será, como é tradição, o primeiro orador da reunião da Assembleia Geral.


Os movimentos de diplomatas seriam severamente limitados. Além disso, há uma proposta de impedir as autoridades de realizar compras em grandes lojas de atacado exclusivas para membros da ONU.


A medida seria mais uma forma de retaliação ao governo brasileiro após o tarifaço de 50% contra produtos importados. Parte dessa retaliação acontece por motivos políticos e não econômicos, especialmente pela defesa do presidente americano, Donald Trump, ao ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que é julgado pelo STF.


Trump pede o fim do julgamento e já estabeleceu restrições contra o ministro do Supremo Alexandre de Moraes, e outros ministros da corte.


A AP afirma que o Departamento de Estado estava analisando também a elaboração de regras que permitiriam impor termos e condições para a adesão a clubes atacadistas por todos os diplomatas estrangeiros nos EUA.

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