A ligação entre a música sertaneja e o agronegócio vai além da inspiração artística — ela nasce da própria realidade dos intérpretes do gênero. Muitos dos principais nomes do sertanejo cresceram em regiões rurais, onde a pecuária e a agricultura são motores econômicos. Não por acaso, as canções refletem o universo do campo, destacando o trabalho rural e a força do agro brasileiro.
Nesse cenário, o gado Nelore, raça que simboliza a pecuária nacional, aparece nas narrativas sertanejas como representação de resistência, vigor e prosperidade — valores que permeiam tanto a música quanto o estilo de vida no interior.
DA RAIZ AO PALCO: A EVOLUÇÃO DO GÊNERO
A trajetória do sertanejo começou a ganhar contornos comerciais ainda no início do século passado. Em 1929, Cornélio Pires deu um passo decisivo ao lançar gravações como Jorginho do Sertão, interpretada por Mariano & Caçula, abrindo caminho para a difusão da música caipira. Nas décadas seguintes, artistas como Cascatinha & Inhana, Irmãs Galvão, Sulino e Marrueiro e Tião Carreiro consolidaram a estética tradicional.
Já nos anos 1970, a dupla Milionário & José Rico abriu uma nova fase ao fundir elementos mexicanos com a musicalidade caipira, formato que se tornaria referência para o grande crescimento do sertanejo nas décadas seguintes.