Discord vai aumentar segurança para proteger crianças e adolescentes

Discord vai aumentar segurança para proteger crianças e adolescentes

leandro santos
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Brasília (DF), 27/01/2025 - Crianças com perfil aberto em redes sociais. Ian Fernandes de Alencar. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
© BRUNO PERES/AGÊNCIA BRASIL

A rede social Discord, muito usada por crianças e adolescentes, e ainda pouco conhecida pelos pais, anunciou que vai aumentar as ferramentas de segurança, a partir de março, em todo o mundo. O Discord é uma rede social que foi criada para comunidades de jogos online, mas que vem sendo usada para as mais diversas finalidades. 

Eva Dengler, Superintendente da ONG Childhood Brasil, alerta para o uso da plataforma para uma série de crimes e violência entre os jovens.

“Devido à centralização em servidores, crianças e adolescentes podem encontrar materiais violentos, sexualmente explícitos ou que incentivam a auto lesão, e comportamentos perigosos. Também existe o risco com predadores e aliciamento, que buscam aí explorar a vulnerabilidade emocional de crianças e adolescentes. Outro ponto é a falta de moderação em muitos servidores criados por usuários. Elas podem resultar em ambientes tóxicos de ameaça, chantagem e de exclusão social.”

Com as novas normas do Discord, será preciso comprovar ser maior de 18 anos para entrar em determinadas áreas da plataforma e alterar configurações. Essa comprovação deve ocorrer por identificação facial e com envio de documento que certifique a idade do participante. A partir deste novo sistema de verificação, o Discord irá ajustar os conteúdos acessíveis a partir da idade do usuário.

A plataforma ainda informou que irá criar um Conselho de Adolescentes, formado por jovens de 10 a 12 anos, que irão opinar sobre ações futuras da empresa.

Eva Dengler, da Childhood Brasil, destaca que as mudanças são importantes, mas é preciso que os pais acompanhem mais de perto o uso das redes pelos filhos.

“Hoje as crianças e adolescentes acessam a internet de diferentes lugares e navegam em diferentes plataformas. É preciso saber por onde as crianças e adolescentes navegam. Então, a classificação indicativa e as políticas de privacidade são fundamentais. Mas para desenvolver isso, a gente precisa conversar isso com o crianças e adolescentes. Elas precisam ter consciência e senso de autocuidado. Então, a principal estratégia é o diálogo com elas”. 

As mudanças ocorrem no momento em que diversos países discutem a segurança de crianças e adolescentes em redes sociais, inclusive com a proibição de uso dessas redes, como ocorreu na Austrália. 

No Brasil, foi aprovado no ano passado o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, para proteção desse público na internet. A nova lei obriga as plataformas a confirmar a idade dos usuários, responsabiliza as redes sociais por conteúdos ilegais, permite a supervisão de pais e responsáveis, além de proibir publicidade voltada para esse público.

*Com produção de Helder Castro.

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