A filha da servidora vítima de estupro dentro da Delegacia Geral do Piauí relatou que o suspeito teria feito ameaças antes do crime e a abordado diretamente após o caso, durante depoimento na Casa da Mulher Brasileira.
Segundo a jovem, a família desconhecia qualquer relação prévia entre o investigado e a vítima. No hospital, ao receber os pertences da mãe, ela teve acesso ao celular e encontrou mensagens que indicariam intimidação.
“Eu dei uma breve olhada antes de entregar [o celular] para a polícia e tinha alguns prints de mensagens, como se ele ameaçasse, [dizendo que] se ela não fosse onde ele estava, na sala dele, falar com ele, ele iria na nossa casa”, disse a filha.
De acordo com a filha, a vítima é uma pessoa reservada e poderia ter se sentido coagida diante da situação.
Além das mensagens, a jovem relatou um encontro com o suspeito enquanto aguardava para prestar depoimento. Segundo ela, o homem se aproximou e fez perguntas específicas sobre o estado de saúde da vítima.
“Ele já estava lá na Casa da Mulher brasileira. Eu sentei numa cadeira e ele se aproximou de mim, perguntando como ela estava. Foi muito específico em perguntar sobre o sangramento que ela teve e perguntou se tinham achado algo mais na região íntima da minha mãe.
A jovem afirmou ainda que não sabia o que havia ocorrido com a mãe ao ser chamada para depor. “Eu não fazia ideia do que tinha acontecido com a minha mãe. Eu fui chamada para depor às cegas”, relatou.
Estado de saúde é grave
A vítima permanece internada em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo a filha, o quadro é delicado e envolve fortes impactos físicos e psicológicos.
“Ela grita o tempo todo por ajuda, pede proteção, pede para não ficar sozinha. Está com o psicológico destruído”, afirmou.
De acordo com a jovem, a mãe ficou em coma induzido e, mesmo sob efeito de medicações, apresenta episódios de confusão mental, pânico e movimentos involuntários de autoproteção.
“Ela está tendo lapsos. Em certos momentos ela nos reconhece. E, por dois segundos, ela conversa um pouco, normal e logo ela volta a ficar nervosa. Ela grita muito, ela pede ajuda, ela pede socorro, ela clama por Deus o tempo inteiro, ela está com movimentos involuntários que demonstram que ela está tentando se proteger e principalmente as regiões íntimas dela”, relatou a filha.
A filha ainda relata o sentimento de revolta que está sentindo. “Eu tô sentindo muita raiva, muita revolta, muito medo, porque a situação que ela se encontra é triste, é degradante. Ela está com psicológico destruído. Eu só quero que a justiça seja feita e eu vou ressaltar aqui por todas as mulheres que já sofreram esse crime nojento”, finalizou.
Investigação inclui ameaça, abordagem e possível dopagem
O caso é investigado pela Polícia Civil, que não descarta a hipótese de que a vítima tenha sido dopada. Um exame toxicológico foi realizado, e o resultado deve ser divulgado nos próximos dias.
Além da suspeita de estupro, a polícia também apura possível tentativa de feminicídio, diante da gravidade das lesões.
Durante coletiva, o delegado-geral Luccy Keiko afirmou que o suspeito admitiu a violência, mas tentou atribuir culpa à vítima ao alegar relação consensual, versão rejeitada pela investigação.
Ainda segundo a polícia, o comportamento do investigado após o crime, incluindo o contato com a filha da vítima, também é analisado no curso das apurações.
O homem, que é servidor terceirizado, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva. A Polícia Civil também solicitou a demissão dele.
Apuração reforçada
Três delegadas foram designadas para conduzir o inquérito, que deve ser concluído em até 30 dias. A investigação busca esclarecer todas as circunstâncias do caso, incluindo as mensagens encontradas, a abordagem à filha e a possibilidade de uso de substâncias.