Foto: Renato Andrade/ Cidadeverde.com

O transporte intermunicipal de passageiros no Piauí entrou em estado de greve e registrou paralisação parcial na tarde desta segunda-feira (23), em meio a um impasse entre trabalhadores, empresários e o governo do estado. A interrupção afetou usuários em diferentes pontos, incluindo a capital Teresina.
A mobilização ocorre em meio à falta de acordo nas negociações salariais e à indefinição sobre a situação contratual das empresas que operam o sistema.
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Rodoviário do Piauí (Sintetro-PI), a paralisação foi uma forma de pressionar por avanços nas negociações.
“Parou por volta das 16h e deve seguir até as 19h. Tem gente na rodoviária, nas garagens, em vários pontos”, afirmou o presidente da entidade, Antônio Cardoso.
O cidadeverde.com busca contato com a Secretaria Estadual de Transportes (Setrans) e com a Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Piauí (Agrespi).
Passageiros são pegos de surpresa
A paralisação afetou diretamente quem depende do transporte para trabalhar. Foi o caso da auxiliar de serviços gerais Rita Pereira, que faz diariamente o trajeto entre José de Freitas e Teresina.
Ela chegou ao ponto na Praça da Costa e Silva, no Centro da capital, por volta das 16h, e encontrou o serviço suspenso.
“Agora tá sem saber. É uma situação inesperada. Saio 5h de José de Freitas para retornar às 16h e até agora estou aqui. Geralmente a viagem demora 1h30, então possivelmente vou chegar em casa às 20h. Isso sem contar a lotação”, relatou.
Impasse envolve salários, tarifas e contratos
O principal entrave nas negociações, segundo o Sintetro, é a falta de definição sobre a licitação do transporte intermunicipal no estado. De acordo com o sindicato, o setor patronal se recusa a negociar reajustes salariais enquanto não houver garantia de continuidade das empresas no sistema.
Os empresários confirmam o impasse. O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Piauí (Sineônibus), Francisco Área Leão, afirmou que a ausência de contratos e a defasagem tarifária tornam inviável conceder aumentos.
“A gente não pode conceder reajuste sem ter contrato e sem reajuste de passagem. Hoje a gente só tem uma ordem de serviço de 180 dias, o que não dá segurança para nenhuma empresa”, disse.
Segundo o Sintetro, a categoria tenta negociar desde o início do ano, mas não houve avanço nas tratativas com o setor patronal.
Reajustes existem, mas não resolvem crise
O impasse atual ocorre mesmo após reajustes recentes nas tarifas. Em março de 2024, as passagens intermunicipais tiveram aumento de 9,45%, com previsão de novo reajuste de 6,98% em junho do mesmo ano, após um período de congelamento durante a pandemia.
Na época, empresários já alegavam prejuízos com o aumento de custos, especialmente do diesel, além da queda no número de passageiros e do crescimento do transporte clandestino.
Mesmo assim, o setor afirma que os reajustes não foram suficientes para recompor as perdas.
Além disso, uma resolução da Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados do Estado do Piauí (Agrespi) aprovou um reajuste de 16,43% com base na inflação de 2021 e 2022, mas o percentual ainda não foi aplicado
Empresários pedem reajuste, contratos e fiscalização
Em documento enviado à Secretaria de Transportes do Estado, o Sineônibus solicita três medidas principais:
- regularização contratual, com formalização das permissões para operação
- reajuste tarifário, com base na inflação e no aumento dos custos operacionais
- intensificação da fiscalização nas rodovias estaduais para combater o transporte clandestino
A entidade também alerta para o risco de agravamento da crise no setor. “Ressalta-se a possibilidade de paralisação por parte do sindicato dos motoristas, o que pode causar grandes prejuízos à população”, diz o documento.
Estado de greve pode evoluir
O estado de greve é uma medida de alerta que antecede uma possível paralisação por tempo indeterminado.
Em comunicado oficial, o Sintetro informou que a categoria segue aberta ao diálogo, mas não descarta deflagrar greve geral caso o impasse continue. A decisão dependerá de nova assembleia.