Fraude INSS: deputada Gorete Pereira é alvo da Operação Indébito

Fraude INSS: deputada Gorete Pereira é alvo da Operação Indébito

leandro santos
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Deputada Federal, Gorete Pereira, durante Homenagem ao Movimento Mulheres Municipalistas (MMM). Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
© PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS

Duas pessoas presas e a deputada Gorete Pereira, do MDB do Ceará, com tornozeleira eletrônica. Esse foi o saldo da Operação Indébito, um desdobramento da 'Sem Desconto', que apura os descontos ilegais em aposentadorias e pensões do INSS. Na operação desta terça-feira (17), foram 19 mandados de busca e apreensão, dois mandados de prisão e outras medidas cautelares diversas no Ceará e no Distrito Federal.

Os mandados foram autorizados pelo Ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Na decisão, ele entendeu que havia uma organização criminosa estruturada e hierarquizada, com divisão de tarefas, estabilidade e permanência, responsável por um prejuízo milionário.

A deputada seria a articuladora política junto a órgãos públicos. Ela contactava servidores do INSS, inclusive o ex-presidente Alessandro Stefanutto, afastado ainda lá atrás, em abril passado, no início das investigações. A deputada pagava propina para que o credenciamento das entidades associativas ligadas a ela fosse efetivado.

Segundo André Mendonça, a parlamentar recebia, em sua própria conta bancária, dinheiro que as empresas de fachada administradas por ela e pela família dela recebiam dos descontos ilegais dos beneficiários do INSS. Com os recursos, teria inclusive comprado um apartamento de R$ 4 milhões e um carro de R$ 400 mil.

Os outros dois presos, Cecília Rodrigues Mota e Natjo de Lima Pinheiro, tinham papéis diversos no esquema. Cecília era quem organizava e executava a inclusão indevida de aposentados em associações, utilizava dados pessoais sem consentimento e assinava termos de adesão fraudulentos. Em novembro, ela esteve na CPI mista do INSS, admitiu conhecer os citados e ser proprietária das empresas suspeitas, mas negou a origem ilícita dos recursos. Já Natjo de Lima Pinheiro cuidava da gestão das operações financeiras e do pagamento sistemático de propina.

A defesa da deputada afirma que ela não praticou nenhum ato ilícito e que vai se manifestar depois da análise detalhada do caso. Ainda não conseguimos contato com a defesa dos outros dois presos; o espaço continua aberto.

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