Foto: Divulgação/White House

Autoridades dos Estados Unidos e do Irã devem se encontrar na sexta-feira (10), no Paquistão, para debater um acordo de paz. As novas negociações foram convocadas pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, após os países concordarem com um cessar-fogo de duas semanas.
“Ambos os partidos demonstraram notável sabedoria e compreensão, mantendo-se engajados de forma construtiva na promoção da causa da paz e estabilidade. Esperamos sinceramente que as 'Conversas de Islamabad' tenham sucesso em alcançar uma paz sustentável e desejamos compartilhar mais boas notícias nos próximos dias”, disse Sharif, que ajudou a intermediar o acordo de cessar-fogo.
Segundo o regime iraniano, as negociações visam finalizar os detalhes da proposta, composta por 10 pontos. Entre eles estão o fim dos ataques contra Teerã, a retirada das forças de combate dos Estados Unidos das bases regionais, as disposições sobre o trânsito no Estreito de Ormuz (rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial) e a suspensão de sanções primárias e secundárias contra o país.
Pelas redes sociais, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse estar confiante no processo. “Um grande dia para a Paz Mundial! Os Estados Unidos ajudarão com o aumento do tráfego no Estreito de Ormuz. Haverá muita ação positiva! Muito dinheiro será feito. O Irã pode iniciar o processo de reconstrução. Tenho confiança de que vai acontecer”, escreveu.
A expectativa é que o período de negociação dure até 15 dias, podendo ser estendidos por novos acordos. O debate ainda envolve outros líderes estrangeiros, que visam assegurar o fim do conflito. Nesta manhã, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, por exemplo, embarcou para o Golfo Pérsico, onde irá se reunir com autoridades da região para discutir esforços diplomáticos para apoiar e manter o cessar-fogo.
Entenda
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.
Na terça-feira (7), Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo de duas semanas. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.