O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi preso nos Estados Unidos pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). A informação foi confirmada pela Polícia Federal em nota divulgada nesta segunda-feira (13).
O ex-parlamentar foi preso em Orlando, na Flórida, e encaminhado a um centro de detenção na cidade. A detenção ocorreu por questões migratórias, e o governo brasileiro ainda aguarda detalhes sobre como será conduzido o processo de retorno ao país.
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro de 2025, a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. O também ex-diretor da Abin, porém, deixou o Brasil de forma clandestina antes da conclusão do julgamento. Saiba mais abaixo.
De acordo com nota divulgada pela Polícia Federal, a prisão de Ramagem decorreu de cooperação policial internacional entre a PF e autoridades dos Estados Unidos. "Ele é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta ao Estado Democrático de Direito.
Após a prisão, o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo se manifestou nas redes sociais afirmando que o caso teria caráter “meramente imigratório”. Segundo ele, o status migratório de Ramagem seria legal e não haveria risco de deportação. A avaliação, no entanto, é contestada por fontes da Polícia Federal, que afirmam que a deportação é possível, embora dependa de decisão judicial.
Paulo Figueiredo afirmou ainda que o governo brasileiro não teve participação na prisão. A declaração contraria nota oficial da Polícia Federal, que diz que a detenção decorreu justamente da cooperação entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
Ramagem será deportado?
Especialistas ouvidos pela CBN apontam dois caminhos possíveis para o desfecho do caso. Segundo o advogado especialista em imigração Vinícius Bicalho, a prisão pelo ICE geralmente indica uma possível violação das leis migratórias. Se isso for confirmado, o governo dos Estados Unidos pode iniciar um processo administrativo de deportação, que costuma ser mais rápido.
O outro caminho é a extradição. Como há condenações criminais no Brasil, o governo brasileiro pode solicitar formalmente o envio de Ramagem ao país. Nesse caso, o processo depende da Justiça americana e tende a ser mais demorado. “Deportação trata de migração; extradição trata de crime”, explica o advogado.
O desfecho vai depender de fatores como a situação migratória de Ramagem, eventuais recursos da defesa e também de questões diplomáticas entre os dois países.
Fuga do Brasil
Alexandre Ramagem fugiu do Brasil de forma clandestina pela fronteira com a Guiana, em setembro de 2025, atravessando o estado de Roraima sem passar por qualquer posto de controle migratório. Foi o que apurou a Polícia Federal.
Após cruzar a fronteira, Ramagem embarcou no aeroporto de Georgetown, capital da Guiana, com destino aos Estados Unidos. As investigações apontam que ele entrou no país usando um passaporte diplomático, mesmo já havendo determinação para o cancelamento do documento.
A fuga ocorreu no mesmo período em que o STF condenou integrantes do núcleo central da trama golpista. Ex-diretor-geral da Abin, Ramagem recebeu pena de 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado.
Em janeiro de 2026, o Ministério da Justiça informou ao STF que o pedido de extradição de Alexandre Ramagem foi oficialmente encaminhado ao governo dos Estados Unidos. A documentação havia sido enviada pela Embaixada do Brasil em Washington ao Departamento de Estado norte-americano em 30 de dezembro de 2025.
O ministro Alexandre de Moraes também determinou a inclusão do nome de Ramagem na lista de difusão da Interpol, o que abriu caminho para sua eventual detenção por autoridades estrangeiras. Já aliados do ex-deputado afirmavam que ele pretendia solicitar asilo político nos Estados Unidos.
Mesmo fora do país, Ramagem passou a sofrer sanções administrativas e políticas. A Câmara dos Deputados cancelou seu passaporte diplomático após a cassação do mandato e, por determinação do STF, também realizou o bloqueio dos seus vencimentos parlamentares.
Fonte CBN