Os indígenas Avá-Guarani, assentados em áreas adquiridas pela Itaipu, reclamam de falta constante de água no município de Terra Roxa, no oeste do Paraná. O cacique Cridio Medina, da aldeia Yvyraty Porã 2, diz que 28 famílias moram lá e precisam da água para lavar roupas, higiene e consumo, porque o rio que passa por lá está poluído.

"Tem 20 alunos que estudam na cidade, né? Sempre a gente foi cobrado pelo professor, professora, por motivo que os alunos foi com roupa suja, e isso por motivo de falta de água, né? E o que acontece muito também por parte da água... água suja, água do rio, né? Principalmente as crianças... eu mandei direto para o hospital para fazer... que deu muita diarreia para as crianças, febre."
As caixas d'água instaladas são de lona e ficam expostas ao sol, e têm capacidade para seis mil litros cada. De acordo com Anildo Vinhale, cacique da aldeia Arapoty, o reabastecimento é feito às segundas e sextas, mas não é suficiente e a água acaba rápido.
"Antes de sexta-feira já acaba, né? Então sempre nós ficamos um dia, um dia e meio sem água, né? E quando choveu bastante, dois, três dias, aí já fiquei quatro, cinco dias sem água, né? Porque o caminhão-pipa colocou a dificuldade para não entrar para abastecer a caixa d'água?"
A Sanepar, empresa de saneamento do estado, responsável pelo carro-pipa, informou que o abastecimento é realizado nas segundas e sextas-feiras, quando são levados 15 mil litros de água, de acordo com as solicitações da Secretaria da Saúde Indígena do Ministério da Saúde, mas está à disposição para verificar a possibilidade de ampliar o abastecimento.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que enviou um técnico em saneamento para avaliar a quantidade e a frequência do abastecimento de água para as comunidades. Com base nessa análise, serão solicitados os ajustes necessários à Sanepar para garantir a regularidade e a suficiência do fornecimento.
