Foto: @rafaelribeirorio / CBF

Os jogadores da seleção brasileira terão folga após as partidas na Copa do Mundo. Diferentemente das últimas edições do Mundial, o técnico Carlo Ancelotti vai adotar um regime mais flexível para os atletas e vai permitir que eles tenham um período fora da concentração para aproveitar com familiares e amigos.
A ideia do treinador é que o grupo faça uma atividade no dia seguinte aos jogos e seja liberado, desde que tenha precaução e sem excessos.
"As folgas estão definidas. Vamos ter folgas depois das partidas. Passar um tempo com a família também é muito importante. É um período longe que vamos passar, mas é um período importante na vida de cada um. Cada um tem de fazer um sacrifício também", disse Carlo Ancelotti ao UOL.
Um dos motivos para a flexibilização de Carlo Ancelotti é a preocupação com a parte mental dos atletas. Caso o Brasil chegue à final no dia 19 de julho, o elenco terá 53 dias de trabalho. A apresentação está marcada para o dia 27 de maio, mas nem todos os atletas estarão presentes. Gabriel Magalhães, Gabriel Martinelli e Marquinhos estão na final da Liga dos Campeões e só se juntarão ao grupo nos Estados Unidos, em junho.
Conhecido historicamente por ser um bom administrador de elencos, Carlo Ancelotti entende que a folga faz parte da recuperação dos atletas e que isso ajudará na convivência entre eles durante a competição:
"Se você tem harmonia, tudo fica mais fácil. O ambiente é muito importante para o sucesso de qualquer seleção na Copa do Mundo. A CBF está muito focada em criar um ambiente bom para que passemos todo esse tempo juntos".
"Temos de criar um ambiente limpo, que não tenha discussão, que tenha clareza. Que tenha regras claras e divisões entre todos do grupo. Todos precisam ter o sentimento de que eles são importantes para a equipe. Não só os jogadores, mas todo a comissão. Estamos trabalhando nisto. Encontramos um bom centro de treinamento, um hotel, uma cidade. Isso é um aspecto muito importante?, completou Ancelotti.
Na última Copa do Mundo, em 2022, o técnico era Tite, que adotou um regime mais rígido. A equipe que foi eliminada nas quartas de final para a Croácia teve apenas algumas horas de folga no dia seguinte do jogo contra a Suíça, partida pela segunda rodada da fase de grupos. Os jogadores foram liberados após o jantar, mas tiveram de retornar para dormir no hotel no Catar.
O veto a familiares na concentração da seleção brasileira, assim como nas últimas edições, segue como uma cartilha da CBF. A delegação ficará hospedada em Basking Ridge, em uma área que fica a cerca de 55 quilômetros do Metlife Stadium, estádio onde o time estreia no dia 13 de junho contra o Marrocos e que receberá a final. A base será a mesma durante toda a competição, com viagens para os jogos e retorno ao local.
Contratado em maio do ano passado, Carlo Ancelotti vive a expectativa da primeira Copa do Mundo como treinador. O italiano disputou as edições de 1986 e 1990 como jogador e, em 1994, como assistente técnico. Sobre o período à frente do Brasil, ele se surpreendeu de forma positiva com o ambiente encontrado.
"O que eu vi neste período na seleção é que o ambiente de trabalho é muito bom. Isso é uma coisa que eu gostei muito de trabalhar com a Seleção. Todos falam o mesmo idioma, têm a mesma cultura. Em clubes não é assim. Quando você tem esse ambiente como nós temos, o trabalho fica mais fácil para poder agregar todos os jogadores para que eles possam falar, brincar e fazer coisas juntos. Em um clube é muito mais difícil ter esse ambiente de união, de harmonia", finalizou.