Foto: Jade Araujo / Cidadeverde.com

O Dia das Mães é celebrado neste domingo (10) e para muitas famílias a realidade é diferente. É o caso de Joana Sousa, de 66 anos, que depois de criar três filhos e três netos, precisou assumir a criação das netas Maria Suely, de 12 anos, e Maria Alice, de 4, com o peito carregado de saudade após a morte da filha Cassandra de Sousa Oliveira, de 36 anos.
No dia 6 de outubro de 2024, ela recebeu a notícia da morte da filha, Cassandra, atropelada por um veículo dirigido por Stanlley Gabryel, companheiro do influenciador Pedro Lopes, o Lokinho, na BR-316, em Teresina.
Presentes no acidente, as netas de dona Joana, Maria Suely e Maria Alice, sobreviveram, mas ficaram órfãs da mãe. A avó assumiu a responsabilidade de criar as meninas e precisou reorganizar a rotina para cuidar das duas.
“Antes eu tinha contato com elas, a mãe delas vinha para cá toda semana com as duas, era muito bom. Sempre ajudei a cuidar. A mãe delas não tinha salário, tinha apenas o Bolsa Família e a gente sempre ajudava. Antes eu dizia para ela deixar a Maria aqui e ela dizia que não deixava. Que eu já tinha cuidado dos outros netos”, explica.
Mãe de duas mulheres e um homem, Joana Sousa dedicou grande parte da vida ao cuidado da família. Antes de criar as Marias, ela já havia cuidado dos filhos de Kátia, sua outra filha, que se tornou mãe solo aos 16 anos.
Foto: Jade Araujo / Cidadeverde.com

Hoje, na casa ainda sem portas e janelas, a família é formada pelos avós, pelas duas filhas de Cassandra e por outro neto adolescente. A principal dificuldade enfrentada é financeira. A renda da família vem apenas da aposentadoria de Francisco Pereira, de 69 anos, avô das meninas.
“Tem sido muita dificuldade. Principalmente para levar ao médico né, sem dinheiro. Tem um ônibus que faz rota rural, levamos ela até o prédio da Cepisa e temos um anjo bom que nos ajuda. Não tínhamos mais condição de comprar o mingau que ela precisa, porque ninguém estava mais labutando com isso, e elas precisavam. Mas graças a Deus deu tudo certo”, conta.
Com a guarda provisória das netas, dona Joana concilia a rotina doméstica com os cuidados de uma criança elétrica e comunicativa e de uma adolescente mais retraída, que ainda carrega no corpo as marcas do acidente.
“É bom demais. Essa aqui é o mimo da casa (a mais nova). A outra é mais dura. As vezes eu digo, Maria ajeita essa cara. Essa aqui já é mais ativa, às vezes acorda e diz bom dia papai, bom dia mamãe. Estamos levando”, afirma.
Foto: Jade Araujo / Cidadeverde.com

Com instinto de avó e de mãe, Joana Sousa cuida e ama as netas que hoje passaram a ser também filhas. À saudade da filha, ela soma a força para seguir em frente e sonhar com um futuro melhor para as meninas. A educação é o caminho que escolheu para elas.
“Sentindo muita falta de minha filha que acho que é um vazio que nunca vai preencher, nem com elas duas preenche. É difícil demais. Quem conhecia minha filha sabe que ela era maravilhosa. Lidar com a saudade e cuidar das meninas. É o jeito. Quero que seja do mesmo jeitinho dos outros três que criei, graças a Deus, são estudiosos. Nunca foram reprovados nenhum. A gente sempre procura dar o melhor para eles, se bambear por outro lado, mas a gente ensina. Estamos lutando com a benção de Deus”, finaliza, abraçando a neta.