Dois destróieres da Marinha dos EUA atravessaram o Estreito de Ormuz e entraram no Golfo Pérsico após escaparem de um ataque iraniano, segundo autoridades de defesa americanas que falaram à CBS sob condição de anonimato.
O USS Truxtun e o USS Mason, apoiados por helicópteros Apache e outras aeronaves, enfrentaram uma série de ameaças coordenadas durante a travessia, disseram as autoridades.
O Irã lançou pequenas embarcações, mísseis e drones contra eles no que as autoridades descreveram como um bombardeio contínuo. Apesar da intensidade dos ataques, nenhum dos navios americanos foi atingido.
Autoridades militares disseram que as medidas defensivas, reforçadas pelo apoio aéreo, interceptaram ou repeliram com sucesso todas as ameaças. Eles ainda acrescentaram que nenhum projétil disparado atingiu os navios.
Em meio a isso, o Irã acusou os Estados Unidos de matar cinco civis ontem durante um ataque a duas embarcações com passageiros no Estreito de Ormuz.
'Após a falsa alegação dos militares americanos de que alvejaram seis lanchas rápidas iranianas', veio à tona que 'atacantes americanos atacaram e abriram fogo contra duas pequenas embarcações com pessoas a bordo, que seguiam de Khasab, na costa omanita, para a costa iraniana, matando cinco civis', disse uma fonte militar iraniana citada pela agência de notícias Tasnim.
Ainda enfatiza que 'as embarcações não pertenciam à Guarda Revolucionária'.
Nessa segunda-feira (4), os EUA reivindicaram a responsabilidade pelo afundamento de seis embarcações iranianas 'que tentavam interferir na navegação comercial' em Ormuz, alegação imediatamente negada por um alto funcionário militar iraniano.
'O Irã iniciou uma investigação sobre os ataques às embarcações', acrescentou a fonte iraniana à Tasnim, ressaltando que 'os Estados Unidos devem ser responsabilizados por seu crime'.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que as acusações de ataques no Estreito de Ormuz mostram que 'não há solução militar para uma crise política'.
As declarações de Araghchi, publicadas nas redes sociais, surgem na sequência de incidentes nessa segunda-feira (4) na via, gerando relatos contraditórios. A mídia estatal iraniana afirmou que o país atingiu um navio de guerra americano com dois mísseis, o impedindo de entrar no estreito.
No entanto, os militares dos EUA responderam, insistindo que 'nenhum navio da Marinha dos EUA foi atingido', com Donald Trump afirmando que dois navios mercantes com bandeira dos EUA haviam transitado com sucesso pela região.
O Comando Central dos EUA acrescentou que destróieres americanos estão operando no Golfo Pérsico numa tentativa de reabrir a hidrovia.
Ao fim do dia, Trump afirmou que os EUA abateram vários 'pequenos barcos', enquanto os Emirados Árabes Unidos alegaram ter sido alvo de mísseis iranianos.
Em sua postagem, Araghchi acrescentou:
'Com o progresso das negociações graças aos esforços do Paquistão, os EUA devem ter cuidado para não serem arrastados de volta para o atoleiro por pessoas mal-intencionadas. O mesmo vale para os Emirados Árabes Unidos'.
Ele ainda ironizou o nome da operação de Trump de escolta de Ormuz, chamado de 'projeto liberdade'. Abbas intitulou como 'projeto impasse'.
'Projeto Liberdade' é o nome dado por Trump à operação dos EUA para guiar navios 'em segurança' para fora do Estreito de Ormuz, que ele disse que começaria na segunda-feira, mas não forneceu mais detalhes.
No domingo, ele escreveu na sua rede social Truth Social:
'Esses navios são provenientes de áreas do mundo que não estão de forma alguma envolvidas com o que está acontecendo atualmente no Oriente Médio. Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança. Em todos os casos, eles disseram que não retornarão até que a área se torne segura para navegação e tudo o mais'.