É um sádico”, afirma delegada após indiciamento de homem que ateou fogo na ex

É um sádico”, afirma delegada após indiciamento de homem que ateou fogo na ex

leandro santos
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 Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

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A Delegacia de Feminicídios do DHPP indiciou José Antônio dos Santos Filho, de 39 anos por feminícidio, tentativa de feminicídio, descumprimento de medida protetiva, lesão corporal e dano. José foi preso em flagrante no dia 8 de maio, no bairro Planalto Uruguai, após atear fogo e matar a ex-esposa, Ângela Maria.

A tentativa de feminicídio foi aplicada pelo atentado contra a ex-sogra, Maria do Socorro. O descumprimento e lesão corporal foi aplicado pela lesão contra a irmã da vítima, Andreia, que também possuia medida protetiva contra José. 

Segundo a delegada Nathalia Figueiredo, presidente do inquérito, o autor do feminicídio fazia recorrentes jogos emocionais com a vítima que ainda sofria com dependência emocional do agressor.

José Antônio chegou a ser preso em janeiro deste ano após descumprir medida protetiva invadindo a residência em que Ângela morava com a mãe, mas foi colocado em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica. O uso do dispositivo foi revogado três meses depois pela Justiça do Piauí.

“Ele utilizou o mesmo modo operandi, ou seja, invadiu a casa da que a dona Ângela estava, na casa dos pais, casa que também residia a dona Andrea. Ele também foi dando ré no veículo e derrubou o portão, chegou a agredir a dona Ângela, ameaçou a dona Andrea, que é a irmã dela, as duas na oportunidade pediram medida protetiva, ele foi preso em flagrante, saiu em sede de audiência de custódia com a condição de tornozeleira eletrônica após três meses foi retirada a tornozeleira e o que foi relatado pela irmã é que ele continuava tendo contato com a dona Ângela. Ela muito dependente emocionalmente e a gente tem que deixar claro que ninguém gosta de apanhar, de ser maltratado, mas ela vivia na condição de dependente emocional. Ele se utilizava disso”, afirma a delegada.

Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

Homem joga gasolina e atea fogo em ex-esposa e sogra em Teresina e é preso

Durante as investigações foi apurado ainda que o agressor chegou a bloquear a vítima no WhatsApp como forma de chantagem para que ela retirasse a medida protetiva.

“A gente acredita que ele teve algum tipo de contato com a dona Ângela e se aproveitou.  Isso agora no dia oito, após saída do pai dela, ou seja, sair um homem de casa e de forma covarde ele adentrou no domicílio derrubando o portão. Assim no momento em que ele derrubou o portão a dona Andréia foi lesionada o motivo pelo qual a gente colocou a lesão corporal e de pronto ele já foi jogando o combustível na dona Ângela principalmente na região do rosto”, detalha.

Após o crime, José Antônio fugiu em direção ao apartamento em que ele já havia residido com a ex-mulher. Ele tentaria descartar o material inflamável, mas foi pego pela Polícia Militar em flagrante. José já teve sua prisão preventiva decretada e será encaminhado ao presídio após liberação médica. Na ação, ele também teve queimaduras.

O inquérito foi concluído para adequação ao prazo, já que o suspeito está preso. A polícia segue com as investigações do crime. Maria do Socorro teve mais de 50% do corpo queimado e segue internada no Hospital de Urgência de Teresina (HUT).

Autor sádico e sorriu após o crime

Foto: Benonias Cardoso / Cidadeverde.com

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A delegada Nathalia Figueiredo afirmou que José Antônio é um homem sádico. Durante o depoimento prestado o autor se mostrou frio e tentou em diversos momento culpabilizar a vítima pelo crime.

“O autor é um sádico. A gente via muita frieza. No momento em que ele foi interrogado tentou em certos momentos culpabilizar a dona Ângela dizendo que ela o perseguia. A gente tem uma experiência no contexto de violência doméstica familiar e é geralmente isso que a gente espera como discurso de um agressor. A gente questionou algumas coisas e ele mostrava incertezas até porque quando a gente foi interrogar já tinha muitas informações, mas ele sempre tentando fazer esse jogo, e acreditamos que ele fazia isso com ela, querendo culpabilizar a vítima de um crime nefasto praticado por ele”, cita a delegada.

A delegada também acredita que houve uma premeditação para esses crimes, pois a agressor possuía combustível no seu carro e na fuga ele levou o material inflamável para o apartamento onde morava, onde foi capturado.

“A questão do feminicídio consumado tem o aumento pela forma como ele causou, que foi substância inflamável e também tinha o contexto de descumprimento de medida protetiva. Na tentativa de feminicídio da dona Socorro a gente tem a causa de aumento pela substancia inflamável. Então foi sim levado em consideração o meio cruel que ele utilizou sobre esse crime”, afirma a delegada.

A delegada alerta para que mulheres que vivem em contexto de violência faça e usem a medida protetiva. Outro alerta é jamais subestimar o agressor.

“Se há medida protetiva, faça uso desse meio. Se houver o descumprimento desse meio informe a autoridade policial. Jamais subestime um agressor, ele é capaz de qualquer coisa. A gente viu o sadismo com o qual ele agiu, inclusive testemunhas disseram que ele saiu sorrindo, ou seja, com o ar de satisfação por ter praticado uma crueldade. Tivemos informações claras que ele lançou o combustível no rosto da vítima, ou seja, ele queria de fato mata-la e com meio extremamente cruel que é usando substância inflamável”, finaliza a delegada.

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